domingo, 28 de junho de 2009

FALHA IMPERDOÁVEL


O jornalista Everaldo Benedito manda convite afrontando os confrades da Confraria do Alto Beco do Fuxico. No e-mail, manda cartaz do 7º Encontro de Cachaceiros de Eunápolis, convite feito em cima da hora.

Apesar da exiguidade do tempo - deveria ter mandado há mais tempo -, a Confraria mandou representantes ao importante encontro "cachacístico" do Extremo Sul da Bahia: Edgar Sá foi o confrade escolhido para representar, à altura, a Confraria do Alto Beco do Fuxico.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

ALTO BECO DESFALCADO NO SÃO JOÃO

Com os centenas de "arraiás" armados nas cidades do Sul da Bahia, os frequentadores do Alto Beco do Fuxico desapareceram daquele trecho da vida mundana de Itabuna.
Poucos foram os que se arriscaram a bebericar e jogar conversa fora no "Whiskytório" e no "Artigos para Beber", durante a noite de terça e no dia de quarta-feira (São João).
Calma, gente, a turma não se aposentou, pelo contrário, representaram, em alto estilo, a Confraria do Alto Beco do Fuxico nos comes e bebes juninos.
Já, já, os confrades estarão de volta ao Alto Beco.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

CONFRARIA JÁ NÃO É A MESMA

A Confraria do Alto Beco do Fuxico está passando por momentos de fraqueza ao admitir em seus quadros membros sem tradição ou atividade etílica.


Agora, para tentar desmoralizar a instituição, confrades como Walmir Rosário e Robson Nascimento aparecem no Alto Beco do Fuxico, nas tardes de sábado, quando as atividades etílicas são mais intensas, sem degustar uma cerveja ou uma divina destilada de Ermíro.


Segundo o confrade Walmir Rosário, que promete passar dois meses longe das práticas da boa mesa, no que tange ao copo, esse período de abstemia é apenas uma questão de solidariedade a Robson Nascimento, com quem passa a dividir a mesma garrafa de refrigerante.


Por enquanto!

domingo, 14 de junho de 2009

OS PIMENTAS DEBUTAM NO ALTO BECO DO FUXICO

Como não poderia deixar de acontecer, eis que a turma do Pimenta na Muqueca se rende aos encanto do Alto Beco do Fuxico e se juntaram aos membros da Confraria para uma foto histórica que marca o début naquele pedacinho etílico e fuxiqueiro.
De pronto, ficou definido que site www.pimentanamuqueca.com.br terá como colaborador o proprietário do bar Artigos para Beber, Eduardo Gomes, pelo seu alto potencial de reportagens.
A única exceção dos novos bolgueiros no que tange às propriedades consumidoras é o jornalista Davidson Samuel, que ao contrário da turma, disputa um refrigerante com Robson Nascimento.
A foto histórica foi clicada na quarta-feira (10-06-2009).
A Confraria do Alto Beco do Fuxico fez as honrarias com os confrades Augusto Ferreira, Robson Nascimento, Pedro Carlos, Walmir Rosário, Rafael Barreto, Eduardo Gomes e José Aboboreira.
As duas fotos são necessárias para que todos os "pimentas" apareçam na imagem.

VISITA OFICIAL DA CONFRARIA AO PIMENTA NA MUQUECA


Conforme prometemos abaixo, os novos vizinhos da Confraria do Alto Beco do Fuxico estão em plena atividade no local.
Encastelados no edifício Dilson Cordier, a turma do site Pimenta na Muqueca são os privilegiados dos ares daquela banda efervercente e etílica de Itabuna. Na primeira foto os visitantes: Robson Nascimento (único membro da Confraria que tem o direito de continuar abstêmio, e já foi eleito o motorista da rodada), o advogado Augusto Ferreira, o jornalista e advogado Walmir Rosário; o jornalistas blogueiros Davidson Samuel, o radialista e blogueiro Fábio Luciano, e o adovogado, jornalista e blogueiro Ricardo Ribeiro.
Na foto seguinte, no lugar de Ricardo Ribeiro está Domingos Matos. A troca de lugares foi necessária para que esta foto fosse publicada.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

NOVOS VIZINHOS

Uma grande obra está em andamento no Alto Beco do Fuxico. Os novos vizinhos da Confraria pretendem se instalar em altíssimo estilo.
Mais alguns dias e o Alto Beco do Fuxico, engalanado, fará uma grande festa de recepção.
Como dizem os políticos: "Falta pouco, meu povo, para nós conhecermos as feras".

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A VISTA DO REFORÇO


Os novos vizinhos do Alto Beco do Fuxico poderão desfrutar dessa maravilha de cenário.

Na foto ao lado, são dois bares aprazíveis que são vistas do próprio local de trabalho.

Não é todo o mundo que consegue trabalhar com uma visão privilegiada como esta.

Aguardem mais um pouco para conhecer os novos vizinhos da Confraria do Alto Beco do Fuxico.

É uma questão de tempo para satisfazer a expectativa.

domingo, 24 de maio de 2009

ANIVERSÁRIO

O empresário Zito Segal aniversariou sábado (23) e fechou, literalmente, o Alto Beco do Fuxico para oferecer um lauto churrasco aos amigos e frequentadores do mais democrático espaço etílico-festivo de Itabuna.
Um festão e tanto, até que alguém caiu na besteira de perguntar a idade do aniversariante.
Refeito o susto, Zito chegou a jurar que estaria próximo das 50 primaveras e, mais do que rapidamente, mudou de assunto.

REFORÇO

A Confraria do Alto Beco do Fuxico está em festa com o reforço que receberá esta semana naquele trecho.
Os novos ocupantes daquela localidade etílica-festiva desfrutarão de uma das belas visões: os botequins Wiskitório e Artigos para Beber.
O novo reforço – de peso, por sinal –, além de poder descortinar um cenário impar, inclusive tendo o direito de participar – de camarote – das reuniões da Confraria, ainda terão o privilégio de ter notícias quentíssimas acerca de fatos e acontecimentos daquelas e outras paragens.
Quem serão as novas figurinhas carimbadas do Alto Beco do Fuxico?
Já, já, conheceremos os CARAS...

domingo, 14 de dezembro de 2008

ALTO BECO DO FUXICO SE CONFRATERNIZA

A Confraria do Alto Beco do Fuxico promoveu, quinta-feira (11 de dezembro), o Encontro de Confraternização de 2008.

Além dos confrades, também compareceram convidados, escolhidos entre os freqüentadores bissextos dos bares “Artigos para Beber” e “Whiskytório”, capitaneados por Eduardo e Robson, respectivamente, e que são os pontos de resistência dos membros da Confraria do Alto Beco do Fuxico, em Itabuna.
Como sempre, a organização do evento coube a José D’Almeida Sena (o festejado Ibraim Sued do Beco), que contratou Buffett, de pães, embutidos e salgados, além de churrasquinho-de-gato.
A animação ficou por conta da dupla Dejacir (voz e violão) e Danilo Bruno (saxofone), além das canjas de Alex e Carlinhos.

O repertório passeou por vários ritmos e estilo, indo desde a Bossa Nova a MPB atual, sem se descuidar no atendimento aos pedidos dos confrades, pródigos na oferta de lindas melodias de “um alguém para outro”, notadamente no mais legítimo brega.

Não faltaram as músicas do cantor pernambucano Reginaldo Rossi, e entre as mais pedidas “Garçom” , “Você é doida demais”, “A raposa e as uvas”, e "Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme”, indo até às velhas marchinhas de Carnaval, para a alegria dos pés-de-valsa.

A Confraternização do Alto Beco do Fuxico de 2008 contou com a presença de Del’Rey, o “Arquiduque do Alto Beco do Fuxico”, atualmente residindo em Camaçari. Aqui, o Arquiduque ordenou o fechamento do Beco para a festança.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O sentimento irreparável da perda




Walmir Rosário
Confesso que foi muito difícil para mim escrever essa última homenagem ao meu amigo Eduardo Lavinsky, companheiro de todas as horas, irmão inseparável nesses 23 anos de intenso convívio. Mais difícil, ainda, é assimilar essa perda irreparável, principalmente pelas circunstâncias em que se deu, através de um trágico acidente. Mas são coisas da vida e a morte nada mais é do que parte integrante dessa nossa existência, aqui neste mundo terreno ou além.
Como amigo, nada mais difícil do que receber uma notícia sobre o desaparecimento de um ente íntimo, mas com Lavinsky Deus nos reservou outras surpresas, atingindo, também, em cheio, o campo profissional. Recebemos a notícia de um acidente – como acontece todos os dias –, buscamos a apuração dos fatos, a identificação das vítimas até o último minuto do fechamento da edição. Em vão.
Não nos conformamos com o fato, e mesmo sem saber de quais pessoas envolvidas, nos preocupamos com a apresentação da notícia como inteiro, conforme recomenda os manuais de jornalismo. Buscamos tudo: quem?, o quê?, onde?, quando? como?, por quê?, embora não pudemos, em tempo, fornecer aos leitores o quem. Parece uma peça pregada pelo destino sobre a morte de um jornalista.
Sim, porque Eduardo Lavinsky foi um jornalista com “J” maiúsculo, profissional preocupado com a técnica, a ética, com a repercussão dos fatos nas pessoas, na sociedade. Jornalista dos mais brilhantes, dono de um texto escorreito, chegava ao extremo no zelo com todos os processos de elaboração da notícia, indo desde a apuração até a chamada na primeira página, caso merecesse tal distinção.
Intransigente, não admitia interferências descabidas no trabalho do jornalista, mas sabia como ninguém ouvir – e com que paciência de um monge – todos os lados dos fatos. Nada o tirava mais do sério como ler um texto jornalístico incompreensível, mal apurado, malfeito. Acreditava, ele, que não prestava a notícia e muito menos quem teve o desplante de escrevê-la.
Nasceu para o jornalismo, embora eu soubesse que seu sonho de criança era ser piloto de avião – projeto que nunca se concretizou –, mas que continuava no seu subconsciente. Se sentia feliz com o movimento do aeroporto, não se cansava de ver aviões subindo e descendo, movimento de pilotos. Mas exercia o jornalismo com a mesma precisão de um piloto de avião, profissional que não se pode dar ao luxo de cometer erros.
Em freqüentes brincadeiras, gostava eu de dizer que ele não deveria ser jornalista, e sim juiz, pela forma com que analisava os fatos, com a equidade de um magistrado, preocupado em conceder a justiça a quem de fato a tem. Outra profissão que lhe cairia como uma luva seria a de médico, principalmente na especialidade da psiquiatria. Era apaixonado por esta área e discorria sobre variados temas com metodologia científica. Com certeza esse estudo lhe deu base para o exercício do bom jornalismo.
Convivo com Eduardo Lavinsky, como já disse, por 23 anos. Desde os tempos da velha Dicom, a conceituada Divisão de Comunicação da Ceplac, comandada por Milton Rosário e pródiga em contratar ou lançar grandes profissionais. Convivíamos com jornalistas do naipe de Edvaldo Oliveira, Odilon Pinto, Raimundo Nogueira, Ederivaldo Benedito, Telmo Padilha, Tyrone Perrucho, Hélio Pólvora, Nisvaldo Damasceno, Luiza Cassiano, dentre outros, como os saudosos Celso Rocha, Mirthes Pititinga, e por aí afora.
Desde então, nossos caminhos sempre foram cruzados pela convivência fraterna e atividades jornalísticas em outros órgãos de comunicação regional e assessorias de imprensa e marketing político nas agências Visão Propaganda e Publix.
Substituiu-me na editoria do Agora Rural e, em seguida, com o apoio de Adervan, trouxemos de volta ao Agora, desta vez para o cargo de secretário de Redação e editor interino. No Agora, fizemos (continuamos, mesmo com o desfalque) um jornalismo de qualidade, junto com os experientes Antônio Lopes, Kleber Torres (o maior repórter desta terra), mesclado com profissionais, mais novos, porém, tarimbados.
Introspectivo, tímido, sabia vibrar com o trabalho produzido, sobretudo quando nos desdobrávamos para apresentar uma notícia dada com exclusividade. Esmerava-se em elaborar a primeira página e não se acanhava em perguntar sobre a conveniência ou não de uma simples palavra ou expressão empregada no texto, a exemplo de como agem os grandes profissionais.
Essa troca de experiência e confidências era constante entre nós, até por conta de temperamentos – ele mais cauteloso, eu mais arrojado, digamos –, o que fez dele meu constante consultor. Precavido, ele observava e dizia: “Está perfeito, mas acho mais prudente tomar esse caminho...”. E não se falava mais nisso, simplesmente eu acatava.
Todos os bons adjetivos se encaixam perfeitamente para classificar o homem e o profissional Eduardo Lavinsky. Digo isso sem receio algum, pois não é de hoje que presencio o cuidado e a responsabilidade com seus semelhantes. Esposo e pai extremado, se preocupava com os filhos, como se crianças ainda fossem, e como todo “pai coruja”, se orgulhava deles com a maior felicidade.
Mas a vida é feita de alegria e tristezas, e disso não podemos nos desviar. Não é da natureza humana nos conformar com as ausências, mas temos que buscar forças e superar. E assim que soube do quem? para completar a notícia, sábado (22), li, na coluna de Cláudio Humberto, esse desabafo: “Não era para ser assim [título] O poeta e ex-guerrilheiro capixaba Antonio Carlos Campos constatou que o final da vida, para o ser humano, é marcado por hospital, cirurgia, dieta, dores de todo o tipo, aposentadoria do INSS, desemprego, asilo, abandono da família e, claro, a morte. Concluiu: ‘O final foi mal bolado’”.
Não imaginava o poeta capixaba que as dores de quem passa por essas situações são bem menores do que o sentimento de ausência dos que aqui ficam à espera de que Deus conclua seu desígnio para com a gente. E como ele mesmo dizia: “Vai com Deus, irmãozão”.


Publicado na edição do jornal Agora de 29/11 a 1º/12 de 2008.

sábado, 8 de novembro de 2008

O preço alto da dubiedade


Walmir Rosário
Dizem que a justiça tarda, mas não falha. Essa máxima da sabedoria popular é inconteste e freqüentemente demonstra continuar valendo. Não foi à toa que os eleitores de Itabuna se negaram a entregar a administração de Itabuna a Juçara Feitosa, uma malsinada e frustrada tentativa de Geraldo Simões se perpetuar no poder da capitania hereditária de Itabuna (certamente é como ele vê a nossa cidade).
Prova de que o povo estava certo são as declarações feitas pela candidata derrotada sobre os subsídios aprovados pela Câmara Municipal para os agentes políticos municipais (prefeito, vice, secretários e vereadores) na gestão que terá início em janeiro de 2009.
A matéria, apreciada e aprovada pelos vereadores, faz parte dos direitos e deveres dos parlamentares municipais e é revista de quatro em quatro anos, antes mesmo da eleição. Não existe nenhuma proibição que seja apreciada após o pleito, mas recomenda a ética que não se legisle em causa própria.
Entra ano, sai ano, e os novos subsídios dos agentes públicos sequer são lembrados à sociedade com tanta ênfase. E não foi diferente neste ano de 2008, quando o Agora publicou os novos valores. Não houve um só segmento da sociedade que tenha se levantado contra os subsídios do prefeito, vice, secretários municipais e vereadores.
Pois bem, somente agora, passada a refrega da campanha eleitoral, o assunto vem à tona. E não emergiu de seu mérito – valores maiores ou menores, bem como percentuais aplicados –, e sim como uma cópia mal-acabada da repercussão de ato de igual teor patrocinado pela Câmara Municipal de Salvador.
Lá, o assunto mereceu destaque por conta do veto do prefeito João Henrique ao seu próprio subsídio, considerado exagerado por ele. Aqui, a assessoria de marketing do secretário Geraldo Simões, que não pôde disputar as eleições pela sua condição de “ficha suja”, colocou a cópia mal-feita do episódio do veto na boca da sua mulher. E como seria de se esperar, o tema não foi abordado com a responsabilidade que merece e sim em forma de politicagem mesquinha, própria dos atores envolvidos na pretensa denúncia. Diante o barulho feito pela petista em função de um ato rotineiro da administração pública, poderíamos dizer que montanha pariu um rato. Mas é preciso lembrar também que a atitude da petista é de uma monumental irresponsabilidade. Senão, vejamos:
A Constituição da República Federativa do Brasil, promulgada em 5 de outubro de 1988, preceitua, taxativamente, no seu artigo 29, V: “subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I”. Portanto, não se admite que uma candidata a prefeita, que já exerceu cargo de secretária municipal, desconheça o processo de reajuste dos subsídios do prefeito e secretários.
Pior ainda do que o simples desconhecimento de dona Juçara Feitosa sobre o assunto é o fato de ela dar declarações sobre um assunto de forma equivocada, com o interesse apenas em desqualificar uma determinada pessoa, no caso seu principal adversário na eleição.
Numa democracia, passada a refrega eleitoral, reconhece-se a derrota, parabeniza-se o vencedor e assume-se a disposição de colaborar para o bem da cidade, estado ou país. Assim aconteceu esta semana nos Estados Unidos, quando o derrotado John McCain saudou o vitorioso Barack Obama.
Mas Geraldo Simões e dona Juçara não estão acostumados com democracia, sistema que abominam, pelo que demonstrou o comportamento de ambos quando ocuparam o poder. Sempre agiram assim quando elite sindical, manipulando a massa levantadora de braço nas assembléias, ou com a empáfia própria dos déspotas, assim que foram guindados à Prefeitura de Itabuna.
Os mesmos petistas que declaravam greves a todo instante e por qualquer motivo, sequer hesitaram ao convocar a Polícia Militar para reprimir o movimento paredista dos funcionários públicos municipais. Aliados de antes ficaram confinados nos sindicatos. Tendo como pretexto uma suposta governabilidade e visando apenas a própria sobrevivência política, rechaçaram as lutas de classe e, bem no estilo da esquerda festiva, denunciaram “manobras golpistas de grupos reacionários que tentam impedir o avanço do socialismo”.
Triste e moribundo discurso de quem não tem projeto algum de governo, mas – e tão somente – de poder. Ficam perdidos no deslumbramento dos encantos da burguesia e agarram-se às práticas e estratégias que antes condenavam com veemência. Mas a dubiedade tem um alto preço: vivem como peixes fora d’água, tentando manter um estilo de vida que, como “socialistas”, fingidamente deploram.
E mesmo com um pé na elite palaciana, Geraldo (o mentor) e Juçara (a sua marionete) não resistem a uma conspiração, ainda que de mentirinha (afinal, criar factóides políticos é uma forma de estar em evidência). Falam, aumentam, inventam, injuriam, distorcem, caluniam. Mesmo que para tanto tenham que mentir para os seus 40.610 eleitores...
Editor do Jornal Agora e advogado

sábado, 11 de outubro de 2008

E Geraldo derrotou o PT...


Walmir Rosário*
A arrogância e prepotência própria dos coronés da política interiorana do início do século passado incrustaram em Geraldo Simões após sua permanência no poder. Não sei bem como qual nome científico mais adequado para isso, mas posso assegurar que tal prática é maléfica ao comportamento e a perfil dos políticos, e pior ainda para o povo, para a Nação.
Determinados membros do Partido dos Trabalhadores, cuja proposta inicial era a implantação da ética e moralidade na política brasileira, se desviaram de seus propósitos, abandonaram os dogmas contidos nos seus estatutos, copiaram, de forma desavergonhada, nas práticas que abominavam. Passaram de guardiões da moralidade a praticantes das mesmas mazelas por eles denunciadas, só que feitas com mais intensidade.
Na economia, essa voracidade famélica poderia ser explicada através do princípio da demanda reprimida, transpostas para o campo da ética por Geraldo Simões durante a sua primeira administração da Prefeitura de Itabuna. Os “meninos” que promoviam badernas para reclamar, apedrejando ônibus, entupindo fechaduras com cola araldite e massa plástica, se mudaram para os palacetes do Góes Calmon. Em volta das piscinas e whisky on the rocks as análises passaram a ser vistas por outro prisma, naturalmente de forma conservadora, mas confortável, e à bordo de carros luxuosos, os New Civic de hoje.
Aconselhados pela classe conservadora e pelos efeitos etílicos do mais puro malte das montanhas escocesas – com o reforço de uma legítima vodca russa –, a “república sindicalista” foi revestida de luxo e riqueza, rasgando os escritos de Karl Marx e condenando a mais valia ao fogo do inferno. Nada como os encantos da burguesia, principalmente quando se chega à condição de new rich.
Aos poucos, os companheiros das greves da Ceplac foram sendo defenestrados, talvez por não saberem como se comportar nas mansões e os operários de campo, auxiliares de serviços gerais, dentre outros piqueteiros foram substituídos pelo todo-poderoso Geraldo Simões pela fina flor da cacauicultura. Pela mão providencial de Martinelli, foi introduzido aos salões da nobreza, deixando de fora a plebe ignara.
Do alto da montanha, não dava mais para mirar, como antigamente, os velhos companheiros, estes perifericamente afastados. Os tempos são outros. Ao invés da força bruta dos piquetes, Geraldo Simões, o então prefeito, passou a se utilizar das artimanhas do poder dominante. Aos poucos, os Giltons, Veridianos, foram sendo substituídos pelos espertos doutores, ávidos para continuar encastelados no poder.
Mesmo conhecendo a derrota nas urnas, Geraldo foi incapaz de fazer uma reflexão para saber onde errou, fazer um mea culpa, reunir antigos colaborados, refazer seu exército. Mas não, preferiu os novos amigos, estes com mais experiência de vida e palavra fácil, capazes de massagear o ego do chefe com elogios fáceis e tapinhas nas costas. Não há quem resista!
E mais cabeças foram sendo cortadas. O “colégio de cardeais” petista passou a ostentar nomes conhecidos da velha oligarquia antes conhecida e combatida, e assumiram cargos importantes. Rei morto, rei posto, e Nelson Simões, Eliezar Correia, Everaldo Anunciação, Josias Gomes, tiveram seus nomes lançados no rol dos degredados. Sem qualquer explicação, deixaram de ser considerados da turma de “minha pedinha”.
Generais de outros exércitos tiveram de despir os velhos pijamas listrados para integrar o staff geraldiano. A cada reforço recrutado em Salvador e Brasília, mais uma cabeça interiorana rolava. E os reflexos foram sendo sentidos nas bases, notadamente entre os ceplaqueanos, responsáveis pela rápida ascensão do técnico agrícola em político influente e consequentemente uma das mais promissoras fortunas da Bahia.
Relegados ao degredo pelo Politiburo de Geraldo Simões, aos poucos seus desafetos foram sendo reabilitados. Ao assumir a Presidência do PT em Ilhéus, Eliezer Correia foi responsável pelo crescimento do partido. Everaldo Anunciação é hoje um dos homens fortes da candidatura de Walter Pinheiro em Salvador. Nelson Simões braço-direito do governador Jaques Wagner, e por aí afora...
O desafeto maior de Geraldo, Josias Gomes, foi, sem dúvida, o deputado federal mais atuante do Sul da Bahia, somente podendo ser comparado com o médico ilheense Jorge Viana. A disposição de trabalho de Josias no projeto de implantação do PT na Bahia despertou um sentimento de inveja e ciúmes ao vislumbrar uma ameaça ao seu projeto político individualista. Mesmo fora da Presidência estadual do PT, Josias continua sendo o homem de mais prestígio entre lideranças e militância no estado.
Ao desprezar todos os militantes petistas da Bahia, lançou seu último empreendimento da política coronelista, ao impor sua mulher como candidata a prefeita de Itabuna. Pela primeira vez os petistas se rebelaram e não seguiram a orientação partidária e o PT votou contra o PT, apesar da questão fechada.
Por último, Geraldo pensou que desafiaria a maioria do povo, inclusive o governador do Estado, que se posicionou contra a candidatura de Juçara Feitosa, pensando que voltaria a ganhar a eleição. Errou por prepotência, prejudicou o PT por arrogância. Manda a lei natural que cada um pague por seus pecados, como diz o ditado... “a justiça tarda mais não falha”.
E assim, assistindo a reabilitação e o crescimento dos desafetos, Geraldo Simões ainda vai ter que devolver “sua Secretaria da Agricultura” para o governador e ainda aturar seu ex-assessor parlamentar na Assembléia Legislativa, José Sérgio Gabrielli, hoje presidente da Petrobrás, ser lançado candidato ao Senado na vaga pretendida por “minha Pedinha”. Será o tiro de misericórdia. Ao derrotar o PT, Geraldo também será atingido.
Editor do Jornal Agora - Itabuna

sábado, 27 de setembro de 2008

“Eles”, não... Nós


É duro reconhecer, mas o itabunense é mal-educado, o baiano também. Idem para cariocas, paulistas, cearenses... Somos todos mal-educados, do Oiapoque ao Chuí

Trouxa, cretino e otário são os únicos adjetivos públicáveis que um raivoso admirador de “Minha Eguinha Pocotó” (é só o que posso deduzir) me atribuiu, via e-mail, na semana que passou. Os outros prefiro não dizer, até porque correria o risco de escandalizar as almas mais sensíveis que porventura tenham tempo e paciência suficientes para ler estas mal traçadas. O motivo de tanta irritação, percebi com algum esforço no texto rudimentar, foi o comentário que assinei, semana passada, a respeito do excesso de barulho que atormenta os viventes da velha Itabuna cansada de guerra. Depois de garantir que continuará provocando quanta zoada quiser (a rua é pública, lembrou), o moço terminou com um argumento que certamente considera irrespondível: “Os incomodados que se mudem”.
Contestar ponto de vista tão... primitivo, digamos assim, certamente não seria tarefa difícil para ninguém minimamente civilizado, mas me contento em avisar ao meu feroz inimigo virtual que vibrei com a raiva dele e os seus insultos... Na verdade, foram um bálsamo para minh’alma sofrida (não resisti à tentação de repetir o pregador dos meus domingos na Universal). Explico a razão de tanta felicidade: ainda que involuntariamente, consegui irritá-lo, e para valer, coisa que gente como ele, com o gosto sádico que tem pelo desrespeito aos direitos alheios, me faz o tempo todo – e impunemente. Senti o doce sabor da vingança, afinal.
Mas, até por uma questão de justiça, devo reconhecer que o meu recém-conquistado desafeto não é uma ilha de estupidez e intolerância em meio a um oceano de cidadãos civilizados e ordeiros. Pelo contrário, pessoas assim são facilmente encontradas em todas as camadas sociais e com os mais variados níveis de instrução. É duro ter de reconhecer, mas o itabunense é mal-educado. O baiano também. Idem para cariocas, paulistas, cearenses e demais naturalidades da pátria amada idolatrada. Exceções existem, claro, mas presumo que insignificantes estatisticamente. Somos mal- educados do Oiapoque ao Chuí, em maior ou menor grau. Quem duvidar, que fique 15 minutos na fila de um banco e com certeza verá pelo menos um malandro ou dois passar descaradamente à sua frente.
Também será muito didático permanecer algum tempo nas proximidades de um semáforo. É inacreditável o número de carros e motos que avançam o sinal vermelho sem o menor constrangimento. Dane-se o pedestre! Falei pedestre? Quantos atravessam a rua na faixa apropriada? Ou esperam a luz verde acender? O tamanho da deseducação pode ser percebido em praticamente qualquer lugar: no cinema (mauricinhos e patricinhas não desgrudam dos celulares), na sujeira largada pelas calçadas, na barulheira insuportável, na enorme quantidade de orelhões danificados pelos vândalos... A lista é interminável.
Disse que somos mal-educados? Mas não esqueçamos a corrupção verde-amarela, providencialmente batizada com um termo ameno: esperteza (ou jeitinho brasileiro). Subornar o guarda que aplica uma multa, recorrer a um pistolão para conseguir favores indevidos, utilizar em benefício próprio os recursos da empresa onde trabalha... tudo isto é feito com imensa naturalidade. Recentemente procurei os serviços de um conceituado neurologista itabunense, mas pedi uma nota fiscal com o valor da consulta (tentaria conseguir o ressarcimento do plano de saúde). A gentil recepcionista me avisou: sem nota, é um preço. Com nota, é outro, e mais alto, logicamente.
Imagino o ilustre doutor tomando uma cervejinha com os amigos enquanto destila a sua revolta contra a corrupção... em Brasília, claro! Aliás, é uma mania nacional falar dos sacripantas e golpistas como se eles fossem alienígenas desembarcados aqui depois de uma viagem inter-galática. Mas a autoridade que se omite ou se vende, o policial que vira bandido, o médico que lesa o fisco ou o político ladrão são feitos exatamente da mesma argamassa que nosotros. São povo... Em última análise, somos nós! (Sim, gentil senhora, sei que corrupção existe em todas as partes do mundo, mas já passamos dos limites por aqui).
Há quem diga que esse pendor para a desordem e a trapaça está na nossa origem – a escória que Portugal enviou para colonizar as terras recém-descobertas e da qual descendemos (aventureiros, degredados e ladrões, ai de nós). A hereditariedade determinando características culturais? Para mim, isso é racismo mal-disfarçado. O eterno verão tropical derretendo consciências e pudores? Duvido! Mas tenho um palpite políticamente mais correto para esse singular comportamento da brava gente brasileira: Freud explica!


Jornalista
eduardolavinsky52@hotmail.com

sábado, 20 de setembro de 2008

UM TAPA-OUVIDOS, POR FAVOR


Eduardo Lavinsky

"A nossa época, a mais palavrosa de todas,
fala incessantemente sem conseguir dizer nada

Tom Stoppard

Li nos jornais que 12 motoristas foram multados pelo Ministério Público Estadual porque descumpriam normas pertinentes à propaganda sonora, como limite de 80 decibéis para o volume de som nos veículos, circulação apenas das 8 às 22 horas e distância superior a 200 metros de órgãos públicos, hospitais, escolas e igrejas. E azar de quem acha que a miséria alheia não deve ser motivo de alegria... Eu me alegrei – e muito, devo admitir. Mas, ai de mim, só até ler um pouquinho mais e descobrir que o afortunado episódio aconteceu em Ilhéus e não aqui em Itabuna, onde, a julgar pela paquidérmica indiferença das nossas autoridades, a barulheira tem vida longa pela frente.

Continuaremos, portanto, correndo o risco de ficar surdos, insones, hipertensos e com o sistema imunológico enfraquecido, passíveis de sucumbir ao ataque dos temíveis vírus, fungos e bactérias que pululam por aí. Pode até parecer exagero achar que uns ruidozinhos mais altos possam ser tão destrutivos assim, mas é melhor não duvidar do que afirmam os médicos. Eu, por exemplo, já tomei conhecimento dos terrificantes perigos que envolvem coisas aparentemente inocentes que fazemos no dia-a-dia, como comer batatas fritas, dar descarga com o vaso sanitário destampado ou esfregar o olho sem antes esterilizar cuidadosamente a mão. Até um inocente cafezinho quente, sobretudo quando servido naqueles detestáveis copinhos plásticos, pode representar uma séria ameaça para a libido dos mais idosos e mesmo a de alguns saradões que andam por aí (a ponta da língua ou dos dedos podem sofrer queimaduras, alertam os sexólogos).

E a zoada insuportável vai acabar depois das eleições, garantindo, enfim, um pouco de sossego aos nossos ouvidos? Não. Até outubro continuaremos submetidos à lógica insana que parece dominar este tipo de publicidade: quanto mais intenso o volume dos altos-falantes, mais votos conseguirá o candidato. (Para mim, patrocinar esse tipo de coisa revela apenas despreparo para a função pública). Depois a situação pouco mudará porque não é de hoje que andar pelas ruas de Itabuna virou um suplício. Muitos comerciantes elegeram os carros de som como mídia preferencial, enquanto outros colocam um locutor, microfone à mão, na porta dos seus estabelecimentos. Fazendo propaganda, claro!

Os barzinhos também contribuem para elevar às alturas os decibéis que atazanam os passantes, enquanto vendedores de bugigangas e até pregadores evangélicos não fazem por menos. A ajudá-los a produzir algazarra existem ainda buzinas, escapamentos desregulados e motos capazes de reproduzir o ronco do motor de um carro de Fórmula 1.

Ficamos por aí? De jeito nenhum. Proprietários de veículos particulares se encarregam de prosseguir com o massacre, inclusive madrugada adentro, utilizando parafernálias sonoras capazes de deixar no chinelo qualquer trio elétrico. (Em respeito à compostura, resistirei à tentação de classificar os que eles chamam de música). Recorrer à Polícia é inútil – há sempre uma diligência mais importante em andamento – e a Lei do Silêncio, que impõe limites para emissão de ruído, continua sendo ignorada entre nós, numa demonstração de constrangedora incivilidade. Certo mesmo estava o escritor e dramaturgo inglês Tom Stoppard, ao afirmar num dos seus ensaios: "A nossa época, a mais palavrosa de todas, fala incessantemente sem conseguir dizer nada”. A propósito: alguém aí me arranja um tapa-ouvidos, por favor?

Jornalista, secretário de Redação do Jornal Agora.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

DIRCEU DEIXA SAUDADES


Dirceu Benício dos Santos
é sepultado em Salvador

O itabunense Dirceu Benício dos Santos faleceu terça-feira e foi sepultado quarta-feira (3) no cemitério do Campo Santo, em Salvador. Engenheiro agrônomo aposentado do Ministério da Agricultura, Dirceu foi cacauicultor e pecuarista e participou de diversas entidades sociais de Itabuna, inclusive da diretoria do Itabuna Esporte Clube.
Amigo do falecido senador Antônio Carlos Magalhães, desde a infância e adolescência no Campo da Pólvora, fato do qual se orgulhava e que gostava de afirmar a quem nunca ter pedido nada para si, Dirceu também exerceu cargos no Governo do Estado. Como presidente da Associação Sul-baiana de Agronomia, foi um dos técnicos escolhidos para avaliar a área para a instalação do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), em maio de 1963.
Recentemente, Dirceu residia em Salvador, e visitava diariamente os amigos e colegas na sede do Ministério da Agricultura, no Largo dos Aflitos.
Apesar de residir na capital, visitava constantemente Itabuna e Coaraci, onde tinha negócios. Botafoguense histórico, Dirceu era freqüentador e membro honorário da Confraria do Alto Beco do Fuxico, onde foi um dos fundadores do Bar do Ithiel e deixou muitos amigos.

sábado, 30 de agosto de 2008

Agora vai, Itabuna!


Eduardo Lavinsky*

Quem disse que tudo vai de mal a pior no nosso paiz? – assim mesmo, com um z bem esticado no final, numa singela deferência ao presidente Lula (esclareço que, como o Zé Alencar, torço para que ele permaneça mais uns oito anos na Presidência). Mas insisto: quem disse que não está tudo bem? Porque discordo frontalmente desse pessoal que não consegue ou não quer enxergar os extraordinários avanços obtidos pelo nosso Brasil varonil rumo à condição de potência mundial (lembrem-se: já somos emergentes!).
Lógico, algumas questões um tanto incômodas ainda não puderam ser definitivamente resolvidas: violência, drogas, miséria, invasões no campo, saúde pública deficiente, educação idem... Mas, até onde eu sei (e acompanho atentamente os informes oficiais), todas as providências já estão sendo tomadas pelas nossas zelosas autoridades e num futuro próximo tudo isso estará resolvido. E não tenho porque duvidar. Sou (e me orgulho disso) o que chamam de otimista incorrigível.
Devo admitir, no entanto, que ultimamente o meu ânimo andou um tanto abalado por acontecimentos que tiveram profundo reflexo na vida nacional: a Seleção Brasileira não conseguiu o ouro olímpico, perdendo justamente para a Argentina (logo ela!). Sem falar que na classificação geral de medalhas terminamos as Olimpíadas numa posição humilhante, a despeito do ufanismo cívico dos nossos narradores esportivos. E – quem diria? – descobrimos que a assassina de Salvattori é Flora e não Donatela, como todos acreditávamos, o que gerou uma inversão de expectativas capaz de abalar o mais insensível dos corações (ainda não me recuperei do golpe, devo confessar).
Além disso, os nossos olhos se abriram, enfim, para o brutal constrangimento imposto a concidadãos ainda sem culpabilidade provada em juízo e que vinham sendo arbitrária e espetaculosamente algemados pela Polícia. Embora a medida só valha, na prática, para os endinheirados com bom trânsito nos tribunais superiores, devemos admitir que já é um começo. Evidentemente, a lista de registros sobre os grandes dilemas nacionais não acaba por aí, mas por que perder tempo com coisas desagradáveis? Sejamos otimistas, digo sempre, e geralmente sou recompensado por pensar assim.
Ontem, por exemplo (escrevo estas mal traçadas na terça-feira, 26), tive a grata satisfação de assistir pela primeira vez este ano à propaganda eleitoral pela televisão. Mesmo envergonhado por negligenciar um dever nunca esquecido por qualquer cidadão politizado e responsável, admito que só sintonizei o programa por um incontrolável acesso de curiosidade (nesse horário normalmente preferia me dedicar a atividades que imaginava mais prazerosas, como bater um papinho com alguma atendente de telemarketing ou dar uma esticadinha até a fila do Bom Preço). No entanto, cometeria uma injustiça se não dissesse que, desta vez, fiquei agradavelmente surpreso com o que vi na telinha. Surpreso apenas, não... Maravilhado!
Eu simplesmente não sabia que uma enorme quantidade de pessoas está preocupada com o meu bem-estar e firmemente disposta a garantir que os próximos quatro anos sejam os melhores e mais gratificantes de toda a minha vida. E isso, pelo que pude entender, sem visar nenhuma recompensa, movidas por pura generosidade, além de um irresistível ímpeto de cuidar de mim, e, de quebra, tirar a Itabuna velha de guerra do atraso (ou seria o inverso?). De qualquer forma, creio que tanto desprendimento deve merecer a minha eterna gratidão. E pense nisso você também. Afinal, como os próprio candidatos sempre fazem questão de deixar claro, exercer um mandato público é atividade estafante, que exige sacrifício desmedido.
Descobri, aliás, que fazia péssimo juízo de pessoas que antes eu só via à distância, a bordo dos seus carros de luxo ou protegidas atrás das cercas elétrica dos seus casarões. Até cheguei a achar algumas delas esnobes, mas que nada, era pura impressão. Na verdade, esse pessoal é simples e boa-praça... Tanto que também vai às favelas, abraça apertado os catadores que vivem no lixão e bota no colo criancinhas com o nariz escorrendo meleca. É comovente, sobretudo, a sinceridade que emana por todos os poros dos nosso futuros bemfeitores e a sólida convicção que mostram ao falar de suas vindouras (e numerosas) ações.
É bem verdade também que alguns prometem o que jamais poderão realizar (candidatos a vereador garantindo segurança pública, educação e saúde, enquanto postulantes à Prefeitura acenam com providências que são atribuições apenas do Governo Federal, quando não de santos bons de milagre). Mas é compreensível: a vontade imperiosa de servir à sofrida população itabunense justifica esses pequenos arroubos. E tenho que dar a mão à palmatória: ao contrário do que eu pensava antes, aparecer na TV não é privilégio apenas de “gente jovem e bonita” (para citar dois atributos sempre muito festejados nas colunas sociais). Povão também aparece na telinha, e não só nos programas policiais.
Presenciei um repórter dedicar preciosos minutos do tempo concedido pela Lei Eleitoral a sua coligação para entrevistar um velho maltrapilho, cujo rosto vincado exibia as marcas de décadas e décadas de abandono e sofrimento. Foi um tanto doloroso vê-lo, homem beirando talvez os 80 anos, chorar feito criança ao ser minuciosamente sabatinado sobre a existência miserável que sempre levou. Também não foi muito confortante ver uma favelada, instada pelo diligente repórter, mostrar uma panela onde boiavam dois ou três pedaços minúsculos de alguma coisa não identificável – a única refeição para uma família inteira, talvez para mais de um dia.
Contudo, tenho absoluta certeza de que a exposição de seres humanos naquela situação não é oportunismo deslavado, mas sim uma estratégia necessária e... didática, digamos assim. Afinal, é preciso deixar bem claro (e o povo é ruim de aprender) que se a gente eleger a pessoa certa, aqueles favelados e mais algumas centenas deles que existem por aí passarão automaticamente do inferno ao melhor dos mundos. E nós todos iremos juntos, naturalmente.
Portanto, se você está desgostoso com a vida, descrente do futuro e borocochô a ponto de sua mulher sugerir Costeletas de Carneiro à Afrodite em sua dieta, não desanime: ligue a TV, abra olhos e ouvidos para o que dizem os nossos candidatos e encha-se de ânimo e confiança. Eu fiz isso e agora posso afirmar com absoluta convicação que desta vez Itabuna vai... Agora vai!

*Jornalista

No entanto, cometeria uma injustiça se não
dissesse que desta vez fiquei agradavelmente surpreso
com o que vi na telinha. Surpreso apenas, não... Maravilhado.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

CRÉDITO DE CONFIANÇA

Por Walmir Rosário
Não existe a menor sombra de dúvida que a mudança da diretoria da Ceplac trará resultados positivos para a instituição e para a lavoura cacaueira do Brasil, sobretudo a baiana. Meu raciocínio parte do princípio de que toda mudança, quando bem-feita, é benéfica. No caso da Ceplac, a expectativa é que o novo diretor acabe com o marasmo que tomou conta da instituição, reconduzindo aos trilhos a locomotiva da produção de conhecimento.
Como diz o ditado popular, pior não pode ficar. Portanto, basta traçar um programa de trabalho mínimo, um simples feijão-com-arroz, para que os primeiros resultados sejam notados. Exemplo disso é o que não falta. E a estratégia do momento parece-nos ser a elaboração de projetos e programas possíveis de serem executados a médio e curto prazo.
Principalmente quando se trata de órgão público, cujas metas normalmente fazem parte de um programa de trabalho e um orçamento prévio devidamente aprovado, não há muito segredo em termos de administração. As invenções não fazem sentido, até porque a administração pública é feita dentro de limites bem definidos, a não ser em casos muitos especiais, como calamidades e coisas similares.
E o novo diretor da Ceplac, Jay Wallace, causou boa impressão aos diversos segmentos da cadeia produtiva do cacau do Sul da Bahia. Se antes alguns setores o viam com desconfiança por sua origem fora das fronteiras regionais (é paraense), o conhecimento e a segurança que demonstra em relação aos problemas da Ceplac e da cacauicultura fez ruir barreiras.
É preciso também levar em conta que a indicação de Jay Wallace teve o aval de setores importantes da Ceplac sul-baiana e da esmagadora maioria dos políticos do Norte do País, cuja mobilização deveria servir de exemplo para nós (cadê a nossa tão lembrada bancada do cacau?).
E para quem espera uma guinada repentina na atuação da Ceplac, com prioridade maior para médios e grandes produtores (os que restaram), é preciso lembrar que Jay Wallace já teve o cuidado de dizer que a direção do órgão mudou, mas o Governo Federal, não. E disse isso para demonstrar que a instituição seguirá a política agrícola do Governo Lula, fornecendo uma assistência técnica diferenciada à agricultura familiar. Não temos nada contra essa opção, é bom que se diga, mas é preciso entender que a Ceplac, órgão responsável pela extensão e pesquisa do cacau, não pode delegar a renovação da cacauicultura exclusivamente aos produtores.
Competência para isso eles já demonstraram que têm, mas necessitam do desenvolvimento de novas tecnologias, uma atribuição intransferível da Ceplac. Sabemos que as dificuldades enfrentadas pela instituição são muitas: a extensão rural padece de uma crônica escassez de profissionais, sejam eles engenheiros agrônomos, médicos veterinários ou servidores das chamadas atividades-meio. Pela falta deles, inúmeros escritórios locais estão fechados.
O diretor da Ceplac alerta que os métodos de assistência técnica rural mudaram e que hoje não é mais recomendável a forma individualizada de antigamente. Uma realidade já admitida antes, tanto que a própria Ceplac, anos atrás, já adotara essa estratégica criando um setor de comunicação institucional no antigo Departamento de Extensão [hoje Cenex].
À época, destacados profissionais de comunicação do Sul da Bahia foram contratados e formaram, junto com extensionistas, pesquisadores e educadores, a maior rede de comunicação de uma instituição do gênero. Só que o sucateamento do órgão promovido no Governo Collor esfacelou essa importante ferramenta de convencimento e difusão de tecnologia.
Portanto, não há nenhuma novidade nas soluções necessárias para colocar a Ceplac no mesmo nível de eficiência que desfrutou no passado. Mas não bastam apenas bons propósitos e programas factíveis. É preciso, sobretudo, garantir a correta operacionalização dos projetos e programas que vierem a ser elaborados.
Atualmente, talvez a maior carência da Ceplac seja a falta de comprometimento do próprio Estado para com a instituição, renovando seus valores, reativando missões e metas. É o que falta para o órgão atuar eficientemente e voltar a ser visto de forma positiva pela sociedade. Esta não é uma missão impossível e pode ser implementada em tempo relativamente curto, bastando, para tanto, apenas vontade política.
Mas para alcançar tal objetivo é preciso realizar um diagnóstico completo e pôr em prática medidas que contemplem todos os segmentos envolvidos na retomada do desenvolvimento institucional. Não basta privilegiar setores, mas buscar a eficiência de forma holística, através de cada elo da cadeia produtiva.
Uma das primeiras atitudes que deve ser tomada pelo novo diretor é unificar os objetivos e estratégias da pesquisa e extensão rural, principalmente quanto à difusão de tecnologia. Afinadas, por certo as orientações técnicas chegarão ao produtor de forma clara, prontas para serem assimiladas pelos agricultores.
Outra atitude imprescindível é a revitalização da instituição, através de contratação de profissionais para a pesquisa e extensão, o que até agora parece não ter merecido atenção especial do Governo Federal. Sem profissionais com experiência comprovada, não há como executar os programas.
Outro importante ponto, a valorização profissional, não deve se restringir apenas aos pesquisadores e extensionistas [fiscais federais], cuja situação salarial foi revista recentemente e colocada em parâmetros aceitáveis (embora o mesmo não se possa dizer quanto aos profissionais de outras graduações, também imprescindíveis à geração e difusão de tecnologia).
A verdade é que os funcionários da chamada atividade-meio, essenciais para o funcionamento do órgão, ainda não mereceram a devida atenção por parte da direção da Ceplac, permanecendo como uma espécie de “sub-raça de ceplaqueanos”, digamos assim, cujas agruras salariais não sensibilizam ninguém. É preciso que os dirigentes da Ceplac reconheçam que sem o jornalista, o contabilista, a bibliotecária, o motorista, a secretária, o escriturário ou o operário de campo não há pesquisa que apresente resultado, muito menos assistência técnica que atinja o produtor rural. É inadmissível constatar que vários desses funcionários de nível intermediário e auxiliar, mesmo sofrendo de doenças graves como o câncer, sejam obrigados a abrir mão do plano de saúde e mendigar a ajuda de terceiros por não poderem arcar com as mensalidades cobradas pelas seguradoras.
Voltando ao novo momento vivido pela Ceplac: ultrapassada a barreira do regionalismo exacerbado e a condição alienígena do diretor, resta apenas e tão-somente a ele a incumbência de pacificar os ânimos, escolher colaboradores comprometidos com a Ceplac e que não rezem pela cartilha de políticos nefastos. Ao mesmo tempo, espera-se dele a competência para aglutinar apoios políticos dos mais diversos partidos, inclusive da bancada baiana do cacau, a fim de materializar os planos que certamente tem para mudar a Ceplac.
Publicado no Jornal Agora, edição de 16 a 18 de agosto de 2008

domingo, 10 de agosto de 2008

PAC do Cacau - adjetivos, advérbios e conclusões

POR WALMIR ROSÁRIO

Indignação! Não poderia ser diferente a reação dos cacauicultores em relação ao tão propalado PAC do Cacau. O que era para ser solução se tornou desespero, fazendo correr rio abaixo todas as expectativas depositadas num plano que atendesse às necessidades dos produtores de cacau, endividados ao extremo.
Frustração! Todas as esperanças, como num conto de mágica, se desvaneceram, e os sonhos de uma nova cacauicultura foram transformados em pesadelo. Mais uma vez é colocado um obstáculo no caminho dos produtores na luta contra a vassoura-de-bruxa, como se não bastassem os já existentes.
Injustiça! É a única conclusão possível, reforçada pelo mea-culpa feito pela Ceplac, através da Nota Técnica, reconhecendo a ineficácia das recomendações constantes do pacote tecnológico. E a tudo isso foi dado e passado recibo, embora as autoridades governamentais façam hoje ouvidos de mercador.
Afronta! Não é de hoje que o produtor de cacau é tratado como um Perdulário, daqueles que acendem charutos com notas de 500 mil réis, entre uma dose de whisky e um cheiro no congote da quenga no Bataclan de Maria Machadão. Coitado doJorge Amado, não sabia quanto mal causaria à imagem do cacauicultor, muito embora o seu estilo literário tenha sido inspirado na ideologia comunista que admirava.
Raiva! Parece ter sido – pelo menos deixa a entender - esta a herança que caberá aos próceres petistas, que não souberam (e ainda não sabem) distinguir ficção da realidade. Por fidelidade a uma ideologia já comprovadamente obsoleta, o esquerdismo festivo e inconseqüente, eles provocam a destruição de uma lavoura responsável ainda potencialmente capaz de diminuir a miséria numa região com quase dois milhões de pessoas.
Desprezo! Somente se explica esse tratamento infame dispensado aos cacauicultores a um trauma ideológico de quem passou anos a fio tentando prejudicar a maior matriz econômica regional. Os socialistas de ontem, agora vivendo na bonança e tendo todas as suas necessidades satisfeitas, não conseguem ter a grandeza de semear a concórdia e ganhar a confiança daqueles que têm muito pouco ou nada.
Repulsa! Quem chega ao poder e continua a agir como perdedor não merece a vitória. Só faz jus a ela quem é capaz de dispensar tratamento igualitário àqueles que produzem com dignidade. Sadismo e vingança só apequenam a quem os pratica.
Ódio! Sintoma de pequenez mental que impede a superação de conflitos passados. Com a queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética, essa ideologia do autoritarismo e da violência deveria ter sido revista. Mas não, continua latente. É triste ver o quanto os progressistas de ontem se transformaram nos conservadores de hoje.
Empreendedorismo! Como se não bastassem todos os revezes sofridos ao longo dos anos, causados pelo que aconteceu do lado de dentro da porteira, os cacauicultores também têm que superar as dificuldades existentes fora dela, impostas pela burocracia estatal. Todos esses percalços, entretanto, não fazem desvanecer o espírito do cacauicultor, sobretudo pelo seu apreço ao seu trabalho.
Superação! Dólar baixo, insumos em alta e o grande endividamento causado pelos altos custos dos serviços da dívida, além da mão-de-obra cara, sempre foram obstáculos superados pelo cacauicultor. Só que agora - e ele não esperava por isso - ele tem que lutar contra a oposição ao sistema produtivo de sucesso, como se praticar o capitalismo fosse pecado ou crime contra a humanidade.
Liberdade! Na democracia a verdade tem de ser absoluta e a liberdade tem de pairar, soberana, acima de todos os interesses, sejam eles políticos, econômicos ou sociais. Acima de todas as divergências ideológicas devem prevalecer a inovação tecnológica, a livre concorrência, a geração de riquezas e a promoção do bem-estar social.
Livre pensamento! Ficam aqui, a título de sugestão, os ensinamentos de Immanuel Kant, em O que é o esclarecimento: "...Ouço, agora, porém, exclamar de todos os lados: não raciocineis! O oficial diz: não raciocineis, mas exercitai-vos! O financista exclama: não raciocineis, mas pagai! O sacerdote proclama: não raciocineis, mas crede! (Um único senhor no mundo diz: raciocinai, tanto quanto quiserdes, e sobre o que quiserdes, mas obedecei!). Eis aqui, por toda a parte, a limitação da liberdade.".
Abdicação! Por tudo isso se conclui que não basta apenas (e exclusivamente) ao cacauicultor cuidar da produção, atendo-se à obtenção do poder econômico, mas racionar sobre a necessidade de deter também o poder político. Do contrário, continuará hoje, como antes, à mercê de discursos eloqüentes, mas ardilosos. Discursos feitos, sobretudo, com a intenção deliberada de ludibriar, induzindo os mais crédulos a permanecer cometendo erros históricos, inclusive o mais perigoso deles: delegar poderes a quem se comporta como inimigo.

Editor do Agora
(Publicado na edição do Agora de 09 a 11 de agosto de 2008)

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

DUDU DA GÁVEA?


Dudu Rocha...quem diria... foi parar na Gávea


Torcedor apaixonado pelo Botafogo, cansado com as perdas de decisões, Dudu devolve a faixa de campeão e resolve torcer pelo inimigo

Por Walmir Rosário

Do amigo, parceiro de Alto Beco do Fuxico e torcedor do Fogão, como eu, Dudu Rocha, recebo a seguinte missiva:
"Amigo Walmir:
Cansei!!!
Do amigo e ex-Bota

Dudu Rocha
29.05.08

Ainda pasmo e sem entender nada, eu lia e relia o texto enviado e o novo endereço do remetente escrito no verso do envelope:
Rem: Dudu Rocha
Novo endereço: Gávea

Confesso que levei um terrível susto e somente consegui me recuperar de tamanho choque após umas três doses da mais legítima Rio de Engenho, pois a cachaça se apresenta como um remédio providencial para essas coisas, mormente quando o assunto mexe com o coração.
Nem eu nem qualquer vivente freqüentador assíduo ou não do Alto (Médio ou Baixo) Beco do Fuxico conseguiria assimilar tal tresloucado gesto, tomado de uma hora para outra. Ninguém, de sã consciência, teria coragem de acreditar numa história como essas, ainda mais se tratando de um torcedor de quatro costados, filho da fina flor da mais tradicional família Rocha, todos botafoguenses, batizados e crismados com a camisa da estrela solitária.
Na tentativa de me refazer do susto, imediatamente liguei para amigos mais chegados, para repartir esse momento de infortúnio. Precisava saber se tudo não passava de um sonho, de um profundo pesadelo. De início, liguei para José Sena, flamenguista empedernido, capaz de abandonar qualquer farra nos bares da moda em Copacabana para assistir a uma partida do seu Flamengo no Maracanã.
Não precisa contar que a primeira reação de Sena foi achar que eu estava com febre, delirando, e disse na em cima da bucha:
- Ora, Rosário, está de porre, que cachaça brava foi essa que você tomou. Se não for cana. ficou maluco - gritou ao celular.
Mais calmo, após as devidas explicações sobre o bilhete e a faixa a mim entregue, passou à ofensiva:
- Bom, diga a ele que em princípio nós aceitamos, mas é preciso passar pelo conselho, já que ele era useiro e vezeiro em ridicularizar nosso time. Vou conversar com a diretoria lá no Rio, depois veremos. Mas pode ter certeza que a decisão será dada em alto estilo, numa assembléia extraordinária da Confraria do Alto Beco do Fuxico - prometeu.
Não satisfeito, liguei, desta vez para um vascaíno, o Paulo Fernando Nunes da Cruz (Polenga), que dentre os feitos futebolísticos traz assinalado em seu currículo o mérito de ter levado o polêmico Eurico Miranda no Alto Beco do Fuxico, quando era presidente do clube de São Januário. No Beco, mais exatamente no bar de Parente [Alcides Rodrigues Roma], provou três doses de Angélica, devidamente curada, e para arrematar ainda participou de cerca de 18 garrafas de Brahma bem gelada.
Mas voltando ao assunto, que é o que interessa, Polenga ficou injuriado com a proposta de Dudu Rocha de se transferir de mala e cuia para o Flamengo, um time com as cores vermelho e preto.
- Quem já viu isso, seu Walmir, se pelo fosse para o Vasco, que branco e preto como o Botafogo, ainda vai lá! Isso é uma heresia. Desde que Dudu deixou Itabuna para ir morar em Ilhéus que estou desconfiando que ele não está batendo bem da cabeça -, diagnosticou Polenga, com ar proeminentemente professoral.
De lá prá, mais não se teve notícia de Dudu Rocha, que deixou de vir a Itabuna, pra saudade dos colegas do Beco. Tampouco José Sena deu resposta de sua reunião com o tal Conselho do Flamengo, no Rio de Janeiro, ficando o dito pelo não dito. O que é certo é que nenhuma assembléia extraordinária da Confraria do Alto Beco do Fuxico foi convocada.
Como não tive coragem de apresentar a proposta de Polenga a Dudu Rocha, também não sei se ele teve coragem de cometer o tão tresloucado gesto, desprezando General Severiano e o Engenhão, para se bandear para as acanhadas acomodações da Gávea, infestada de urubus.
Acredito que quem deve estar em paz é o velho Dunga, que nunca pensou ter alguém em sua família capaz de cometer tamanho sacrilégio.
De minha parte, acho que valeram as orações feitas, não tanto por ele, por estar abilolado, mas pelas gozações que por certo seriam a mim impostas pelos colegas de Beco e outros refúgios etílicos existentes Itabuna afora.