sábado, 27 de agosto de 2016


NIELA COMEMORA ANIVERSÁRIO EM O BERIMBAU; SÓ ALBERTO FISCAL NÃO GOSTOU DA RABADA


Panelão de rabada do aniversário de Niela
Em alto estilo foi comemorado, neste sábado (27), o aniversário de Carlos Antônio Niela na Confraria de O Berimbau. Afinal, não é todo o mundo que têm a felicidade de atravessar a casa dos 79 anos com todo o gás, comendo uma suculenta rabada com legumes, acompanhada de de boas cachaças e cervejas bem gelada.
O niver, planejado com dois meses de antecedência, consumiu dedicação de Zé do Gás para preparar toda a decoração do ambiente e a confecção do bolo, para as comemorações. Por isso, nada foi esquecido e o ágape ocorreu em pleno clima de felicidade, para o gáudio e satisfação dos confrades.

Conforme prometido, o prato de resistência foi a rabada com legumes, que chegou com um pequeno atraso, já que o aniversariante não aceitou o apoio de Nélson Barbosa na logística do transporte da rabada até O Berimbau. Fez bem, pois a segurança de uma iguaria desse naipe não pode ser descuidada. A única ausência notada foi a de Alberto Fiscal, qu
Niela corta o bolo com a vela a meio pau
 preferiu passar o dia no interior de Camacã, veraneando na pousada do seu irmão Boca de Twitter, como é mais conhecido. Pelo que ficou evidenciado nas conversas entre os confrades, o único que não gosta da rabada de Niela é Alberto Fiscal, por motivos desconhecidos. 
Agraciado pela Confraria de O Berimbau com um bolo com uma velinha a meio pau, Niela cumpriu todo o ritual a ser seguindo pelos aniversariantes, ao cuspir no bolo enquanto tentava apagar a velinha. 
Ao final, com todas as gafes cometidas e aqui não reveladas, fica apenas o registro de que o bolo foi decorado com um guaiamum, coisas que somente os confeiteiros, como Zé do Gás pode revelar.
Bolo decorado com guaiamum
O detalhe especial ficou por conta do confrade Raimundo Antônio Tedesco, que "amuou" na mesa onde ficou localizado o prato principal - a rabada - até que não restou nem um ossinho. Ao final, a título de sobremesa, foram servidos pães de sal recém-saídos do forno, para serem comidos com o caldo gorduroso da rabada.
E todos continuaram felizes para sempre.
Tedesco "amuou" na panela de rabada

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Ágape de sustança na reinauguração d' O Berimbau

Buchada de bode, prato de sustança
E a Confraria d'O Berimbau se renova e inaugura neste sábado novas instalações. Nem todos os confrades aprovaram as mudanças introduzidas por Zé do Gás, principalmente os mais conservadores. Faz tempos que desconfiavam da "maldade" e o crime ecológico cometido contra o pé de abil, derrubado sem dó nem piedade.
E é justamente naquele local que está localizada as novas instalações da modalidade etílica d'O Berimbau, que vem perdendo espaço e localização para a padaria do mesmo nome. Celeumas à parte, o espaço está construído, pronto e acabado, portanto, não será com choro nem vela que irá resolver o problema. a mudança foi decidida democraticamente por Zé do Gás, do alto do seu coturno de diretor-presidente da Confraria.
Dentre as lamentações dos confrades, estão a importância dada a uma padaria, coisa de somenos importância, onde os clientes não fazem "piseiro" e apenas aparecem para comprar pão e outros assessórios, e até a "casa da lenha", depósito despropositado em local privilegiado. Mas está lá e não adianta chorar o leite derramado.
Já outros confrades até gostaram do novo local, a que acreditam apropriado para as reuniões sabática (por ser periódica, aos sábados), com o toque do sino à chegada dos confrades. Para esses, não é preciso estar exposto nas vitrines para praticar o esporte etílico e gastronômico entremeado de bate-papo, pois cachaceiro que se preza não faz fuxico ou fofoca.
E neste sábado, nada mais justo para justificar (isso mesmo) o tresloucado gesto de Zé do Gás do que ser servido com o que existe de mais gostoso da cozinha nordestina. Pelo que soube, buchada de bode, rabada, sarapatel e sobe e desce serão as especialidades da casa servidas por ocasião de tão nobre recepção aos confrades d'O Berimbau.

Folhas de jamaica pelo serviço expresso


Walmir Rosário*
Dias desses, por ocasião de uma das reuniões de sábado da Confraria do Berimbau, falei sobre a dificuldade de bebermos, em Canavieiras, uma boa cachaça de folha, da música “Tarde em Itapuã”, do poeta Vinícius de Moraes, que troquei para “cachaça de folha”. Nunca achamos as folhas boas que queremos ou uma cachaça destilada que se preze pela qualidade.
As duas juntas e engarrafadas que temos notícia não merece tanta confiança e credibilidade. Nada contra as folhagens (que geralmente se prestam para a mistura), mas o problema reside na qualidade da cachaça, nem sempre muito confiável por essas paragens. E a cachaça de folha tem que ser um “casamento perfeito”: boas folhas, ótima destilada.
Na minha reserva especial de cachaça sempre há espaço para as destiladas – descansadas ou não – de boa procedência. Sempre sentenciei como crime inafiançável misturar uma boa destilada com elementos estranhos, como o limão, que, comprovadamente, tem causado males diversos aos intestinos e estômagos mais delicados.
Mas sempre abri exceção para a mistura com as folhagens diversas, desde que não sejam amargas, a exemplo de “pau-de-rato”, “Milome”, “carqueja”, “boldo”, dentre outras. Não coloco o “jiló” no mesmo balaio, pois as histórias sobre essa mistura já causou alguns dissabores na masculinidade de alguns desavisados no bairro da Conceição, em Itabuna.
Já outras folhagens, do tipo mais amigável ao paladar, são sempre bem-vindas. A começar pela “catuaba”, “angico”, “jatobá”, cravo, canela, “angélica”, “alecrim”, “figo”, “gengibre” e até mesmo tempero pra peixe, uma mistura rica em alho, cebola em cabeça e verde, tomate, hortelã, pimentão e por aí a fora.
Em Itabuna, essas preciosidades sempre foram encontradas nas boas casas do ramo, aquelas não não economizam dois reais na hora de adquirir uma boa destilada para servir à seleta clientela. Exemplos que merecem ser lembrados são as “farmácias” de Dortas, na esquina do beco do Fuxico com o Calçadão da Ruy Barbosa, de Batutinha, no Médio Beco do Fuxico, e até de Ithiel Xavier, no início do bar no Alto Beco do Fuxico e que serviu de inspiração para a Confraria do mesmo nome.
Ainda no Alto Beco, na esquina da travessa Ithiel Xavier com a rua Duque de Caxias, estava implantada a mercearia de Alcides Rodrigues Roma, ponto de apoio da boemia frequentadora daquelas paragens. Ao lado dos sacos de milho e feijão, um cavalete com carne do sol e jabá (ambas com dois vistosos pelos), preferida para o tira-gosto entre uma cachacinha e outra.
Aliás, é bom que se diga que a especialidade da casa, era a “angélica”, considerada pelos consumidores a bebida sublime, a preferida dos clientes. E nada melhor do que uma jabá assada como prato de resistência. E não era preciso nenhum chef em culinária para prepará-la ao gostos dos fregueses.
Bastava apenas envolvê-la num papel pardo de embrulho, ensopar o pacote com bastante álcool 90 graus, colocá-lo no prato da balança e riscar o fósforo. Após o fogo apagado, desembrulhar a carne, bater com a faca na carne para tirar o excesso de sal e cortá-la em pequenas fatias. Pronto, com uma iguaria dessa qualidade não ficava ninguém com fome.
Num desses domingos em que todos se preparavam para ir ao futebol no Itabunão – era dia de Itabuna e Vasco da Gama –, eis que aparece uma visita ilustre na mercearia de Alcides Rodrigues Roma, tendo como anfitrião Paulo Fernando Nunes da Cruz, o Polenga. Era o então presidente vascaíno Eurico Miranda, que diante da fama da angélica e da jabá, desprezou o almoço do Pálace para experimentar o inusitado prato.
Mas preciso retomar o fio da meada, para não embaralhar a cabeça dos leitores com tantas informações, às vezes desencontradas e que podem levar ao coma alcoólico. Ante ao meu questionamento, de pronto, um amigo resolveu atender, em parte, minha solicitação, dizendo conhecer um pé de pimenta jamaica inexplorado, mantido por ele longe dos olhares de cachaceiros.
O receio de Antônio Alves (Tonhão, ou Tonhe Elefoa), técnico agrícola aposentado da Ceplac, é que a árvore venha a ser alvo dos consumidores de cachaça com folha e venham a desfolhá-la. Garantiu que supriria as minhas necessidades, colhendo algumas folhas, que seriam entregues em data próxima.
Nem bem passou uma semana e ao chegar em casa e vasculhar a caixa de correspondência para conferir a entrega dos Correios, me deparo com o compartimento cheio de folhas. Fiquei pasmo e pensei que seria um novo serviço dos Correios para tapar o rombo nas suas contas, mas abandonei a ideia por achar estapafúrdia.
Em seguida, meu pensamento voltou-se para as crianças vizinhas que brincam na rua tocando as campainhas e se escondendo que tinham feito mais uma travessura. Ao chegar mais perto para retirar as folhas, reconheci o cheiro das folhas de pimenta jamaica e fui me lembrar da promessa feita por Tonhão na Confraria do Berimbau.
Olhei para as folhas e já vislumbrei elas dentro de um litro misturadas com uma boa destilada – ainda não repousada – trazida do Bar do Jacaré, em Itajuípe, pelo amigo Cláudio da Luz. Um casamento perfeito, digno de saboreá-las ouvindo a música Tarde em Itapuã, tendo o cuidado de trocar as palavras cachaça de rolha por cachaça de folha.
* Apreciador das boas bebidas


segunda-feira, 9 de maio de 2016

VERSOS DE ANTANHO SOBRE O VINHO


Tu, que não bebes vinho,

não maldigas os que bebem.
Sê cortes,
sê indulgente,
sê humano!


Fôra eu senhor do Destino,
dono do passado e do futuro,
ter-me-ia então arrependido
e confessado a Allah
os meus pecados.


Mostras-te orgulhoso,
envaideces-te de não beber.


Insolente e hipócrita!
Fingiste relegar ao esquecimento
centenas de atos perversos,
e encobres as afrontas ao pudor
que diariamente praticas!

*Osmar Khaiame
 (séc. XI)


sábado, 12 de dezembro de 2015

TRABALHOS PARA 1ª LAVAGEM DO BECO DO BERIMBAU COMEÇARAM CEDO

Antônio Elefôa abre os trabalhos
Às 5 horas, precisamente, uma alvorada com fogos de artifício abriu as comemorações para a 1ª Lavagem do Beco d'O Berimbau, em Canavieiras. Em seguida, com a chegadas dos primeiros confrades, foi servido um lauto mocofato e colocado à disposição um balcão com vários tipos de cachaça e batidas. Os frezzers com cerveja já estavam estrategicamente colocados.

O primeiro a abrir os trabalhos foi o confrade Antônio Elefôa, que
Um mocofato de respeito
degustou uma moqueca na frasqueira, bem forte, arrematada com o mocofato.

Logo mais os trabalhos serão oficialmente abertos...









Os "cederos" partiram pra "briga"

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

CONFRADES PROMOVEM NESTE SÁBADO A 1 ª LAVAGEM DO BECO D'O BERIMBAU


Se perpetuar com um evento permanente do calendário turístico-etílico de Canavieiras é a proposta da Confraria D'O Berimbau, que promove neste sábado (12), a partir da 9h51min, a 1ª Lavagem do Beco D'O Berimbau. O acontecimento vai reunir da mais fina flor da boemia de Canavieiras e região, numa festa de camisa para seletos participantes.
Projetado para proporcionar um dia inteiro de alegria e descontração, a 1ª Lavagem do Beco de O Berimbau oferece como atrações música ao vivo, balcão com bebidas quentes (cachaças pura e com folhas e raízes, batidas e outras especialidades), cerveja bem gelada e um nutritivo churrasquinho de gato.
Segundo um dos membros da Confraria de O Berimbau e organizador do evento, Zé do Gás, a Lavagem será um dia de completo lazer para o boêmio e seus convidados (inclusive a família) se confraternizarem à beira do balcão do botequim mais conceituado de Canavieiras. Por ser uma festa de camisa, o evento conta com toda a segurança livre de penetras e outros convidados indesejáveis.
A 1ª Lavagem do Beco de O Berimbau terá como palco o famoso Beco do Berimbau, também apelidada de rua Dr. João de Sá Rodrigues, no conceituadíssimo trecho compreendido entre a esquina de Tião da Kombi até a rua Dr. José Marcelino. O local sempre foi um endereço bastante conhecido por sediar o famoso botequim de Neném de Argemiro, posteriormente transformado na Confraria de O Berimbau.
A Confraria D'O Berimbau é um estabelecimento sui generis que opera no ramo etílico com leve ampliação para eventual alimentação do seus Membros. De acordo com o Estatuto aprovado e em vigor, a Confraria D'O Berimbau funciona aos sábados, a partir das 9h51min até o último cliente.
A Confraria D'O Berimbau é o único estabelecimento etílico que mantém uma distinta clientela, selecionada entre os boêmios canavieirense e eventuais visitantes, de forma integrada. Entre os “Confrades” – a distinta freguesia – destacam-se intelectuais, profissionais liberais, funcionários públicos e privados de todas as classes econômicas, representando uma clientela heterogênea.
E é justamente essa plêiade boêmia a responsável pelo sucesso da Confraria, uma entidade etílico-cultural-recreativa, mantida durante muitos anos pelo boêmio e trompetista Neném de Argemiro (que também atendia pelo nome de Eliezer Rodrigues), o seu fundador, até o seu falecimento. Agora, com a reabertura D'O Berimbau por José Gama (Zé do Gás), a entidade ganha novo fôlego e propõe o seu resgate histórico e cultural.
A 1ª Lavagem do Beco D'O Berimbau é um evento que já “nasce” com a certeza do mais absoluto sucesso, haja vista a experiência dos Membros da Confraria D'O Berimbau em eventos afins. Isto porque a Confraria D'O Berimbau possui um DNA festeiro, produzindo eventos de sucesso garantido, a exemplo do Troféu Galeota de Ouro, nascido e criado em O Berimbau e que permaneceu por anos seguidos no Calendário Turistico-Etílico-Cultural de Canavieiras.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Crime ecológico abala a Confraria do Berimbau – culpados serão punidos, diz Secretário Plenipotenciário

Walmir Rosário
O local ensolarado pela falta do pé de abiu chama a atenção
Por falta do que fazer não era, mesmo assim pouquíssimos membros da Confraria do Berimbau percebiam o pé de Abiu (Pouteria caimito), frondosa árvore frutífera da família Sapotaceae, ao lado das mesas do Berimbau. No mínimo, acreditavam que plantas, com suas raízes e folhas teriam importância e serventia era do lado de dentro do balcão, mais exatamente no interior daqueles litros e garrafas conhecidas como “folhas podres”.

E olha que a sombra do galhardo abieiro refrescava – e muito – os sábados ensolarados em que costumeiramente se consumiam – e consomem – cervejas, cachaças e o deliciosos tira-gostos. Por falar em comida, no Berimbau é Lei: bebeu tem que comer. E a organização interna prescreve que no primeiro sábado do mês, o cardápio é o tradicional mal-assado, já nos seguintes, fica a cargo dos confrades que submetem à diretoria o prato que deverão levar.

Mas, e o crime? Qual foi? Quem cometeu? Pois é, o fiel e prestimoso pé de abiu teve um fim trágico, sem direito a julgamento. Foi condenado e executado sem defesa...quer dizer, até teve, mas sem fôlego. Pior, ainda, sem ser velado. Certeiros golpes de machado e virou lenha, deve ter ardido num forno de uma dessas padarias ou pizzarias da cidade.

Pior, foi derrubado por engano. Jura, Zé do Gás, que jamais cometeria uma atrocidade desta com o abieiro plantado com todo cuidado e carinho pelo estimado sogro Neném de Argemiro. Além do mais, foi transformado em árvore de estimação pela sogra Terezinha Sarmento, transmitida em testamento para a esposa Vera.

Deus me livre de uma blasfêmia dessas”, jura Zé do Gás, imputando toda a culpa ao contratado para derrubar um toco que restava no quintal, sobra de uma árvore, esta, sim sem serventia e que ainda atrapalhava a expansão das atividades da Confraria do Berimbau. Até mesmo o padeiro – que nada tinha a ver com o feito – não acreditou quando percebeu as primeiras machadadas certeiras o inocente abieiro
 
Mas nem todo o valor sentimental da família Sarmento e dos membros da Confraria do Berimbau foram suficientes para conter o tresloucado gesto do insensível machadeiro. Foram cerca de 10 cortes de machado em cada lado e o abieiro, considerado um membro da família veio abaixo. Sem dó nem compaixão.

Mas o pior ainda estava por vir. Bastou dona Terezinha vislumbrar a grande claridade deixada pela ausência do abieiro para se dar conta de crime cometido. Imediatamente, convocou os membros da família para cobrar a autoria do crime, pois, afinal, o exemplo começa em casa. Enquanto a filha Vera negava peremptoriamente qualquer participação do hediondo crime ambiental, Zé do Gás se desculpava sob o argumento de que se encontrava nos “braços de Morfeu”, como se fosse possível se encontrar em pleno sono num momento delicado dessa magnitude.

Pela leis do Berimbau, o crime ambiental será levado à apreciação do Secretário Plenipotenciário, que deverá abrir uma investigação para apurar as responsabilidades. Uma das linhas de investigação apontou que o abieiro teria sido abatido para dar lugar à construção de um mictório para os confrades e uma churrasqueira, conforme projeto elaborado pelo engenheiro de Minas, Gilbertão.

De antemão, ficou convocado o engenheiro agrônomo José Alves, especialista em paus e madeiras, que deverá prestar compromisso e restabelecer a vegetação original.

Justiça será feita, doa em quem doer”, falou do alto de sua autoridade o Secretário Plenipotenciário de O Berimbau.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

“As Muquiranas” estão de volta e reestreiam na lavagem da Igreja de São Boaventura


E “As Muquiranas” estão de volta
Homens travestidos de mulher, com toda a esculhambação permitida. Ainda não será desta vez que as “meninas” do Bloco Carnavalesco “As Muquiranas” reestrearão num clima de apoteose, em respeito ao Santo Padroeiro de Canavieiras. Mas prometem voltar às ruas de Canavieiras durante o cortejo e lavagem das escadarias da Festa de São Boaventura. A concentração está marcada para as 8 horas de domingo, dia 12 de julho, na praça Maçônica, onde tem início o cortejo, que desfila pela Rua 13 e final na Igreja Matriz de São Boaventura.

Durante a lavagem da escadaria da Igreja a apresentação será feita com uniforme condizente com a ocasião: uma camisa de malha com a logomarca do bloco e a figura de São Boaventura. Cada camisa tem o custo de R15,00 (quinze reais) e poderá ser obtida com os dirigentes da agremiação ou na Confraria do Berimbau. Além dos associados de “As Muquiranas”, no evento do cortejo e lavagem serão aceitas participações de outras pessoas, que poderão ser apresentadas pelos seus membros.

Na praça São Boaventura, “As Muquiranas” implantarão uma barraca com comidas apropriadas para a incursão etílicas, como sarapatel, mocofato, dentre outras especialidades capazes e apropriadas para dar sustança aos participantes da festa, bem como bebidas variadas. Os recursos obtidos na barraca serão transformados em fundo de investimento e custeio para os foliões durante o Carnaval de 2016.
 
Contribuições – Desde sua refundação sob as bençãos da Confraria do Berimbau, o Bloco “As Muquiranas” já conta com quase uma centena de sócios contribuintes, que comparecem à tesouraria através de um carnê de pagamento mensal. A previsão da diretoria é a realização de um grande Carnaval, relembrando os tradicionais desfiles de anos anteriores, quando atraiam foliões de outras cidades circunvizinhas.
 
Conforme dados e fotos históricos, o bloco “As Muquiranas” contavam em seus desfiles com personagens com Juca Seara, Biriri, Geraldo Carneiro, José Leal, Almir Melo, lourival e Alício Monteiro, Orlando Maia, Tedesco, Bira Magnavita, Negão, Chico Soussa, Edmundo Melo, Dr. Sócrates, José Garcia, dentre outros. Para relembrar os antigos carnavais e seus membros, na barraca da praça São Boaventura serão exibidas fotos das festas de escolha da Rainha do Bloco e os memoráveis desfiles carnavalescos.

Segundo uma pré-programação, na sexta-feira do Carnaval de 2016 será realizada uma monumental festa para a tradicional escolha da Rainha de “As Muquiranas”. No domingo e na terça-feira de Carnaval “As Muquiranas” realizam o tradicional desfile pela Rua 13, devidamente fantasiados. Os sócios contarão com diversos serviços inerentes à folia como um carro de apoio servindo bebida aos participantes.
 
A Diretoria de “As Muquiranas” é composta por Hipólito Lucena - Presidente, Vice-presidente - João de Cezário, Secretário Daeltto Santos Brito, Tesoureiros - Nelson Barbosa, Nei Pinto e Trajano Júnior, Diretor de Eventos - Abel Lisboa, Diretor Social – Edmundo Melo, Diretor de Marketing – Walmir Rosário, Diretoria de Assuntos Especiais – Antônio Tolentino e José Gama, Conselho Fiscal - Severo, José Bandeira e Tolentino da Piaçava.

Contatos: 73-9933-0330, 9967-6733 e 9975-1044.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Expansão do Berimbau – de bar a padaria e quem sabe...


Moto baú leva pães e comodidade aos clientes de O Berimbau
Na França, o costume é cada um passar na padaria, comprar sua baguete, colocá-la debaixo do braço, sem embalagem, e levá-la para casa. No caminho, uma parada num café, num bistrô, sempre com a baguete ao lado. No Brasil, temos dois costumes, ir à padaria comprar os pães ou pedi-los pelo delivery, meio mais prático, mas nem sempre o mais barato, já que na composição do preço entra um novo componente: o moto entregador.
Em Canavieiras, um serviço foi resgatado de tempos passados e é a padaria quem vai à casa do cliente. A inclusão dessa modernidade (do passado) é ideia de José Gama, ou Zé do Gás, que hoje administra a Confraria do Berimbau, reduto da boemia canavieirense, hoje mesclada entre membros da velha e jovem guarda etílica. O que não é novidade é fusão das duas empresas – o bar e a padaria - que hoje funcionam no mesmo local.
Para proporcionar mais comodidade aos clientes, a padaria – um dos braços econômicos do Berimbau – chega às casas dos clientes com um mix de produtos, que vai dos pães (francês, milho e variedades doces) chegado ao leite, iogurte e outros produtos de laticínios. Se antes esses produtos eram transportados pelos chamados “padeiros” em grandes cestos na cabeça, hoje desfilam pelas ruas da cidade de motocicleta.
Uma motocicleta adaptada com um “baú” fechado que aloja bandejas de pães em prateleiras, conforme saem do forno. Numa caixa isotérmica são transportados os produtos de laticínio, para que não percam a frescura – temperatura baixa, no bom sentido. Em cada uma das ruas, o Galego para num ponto previamente estabelecido, buzina e vai servindo os clientes que vão se aproximando da moto baú. A prestação do serviço não altera o preço do produto ao consumidor, o que é considerada uma vantagem.

GALEOTA DE OURO
O bar O Berimbau foi criado por Neném de Argemiro e posteriormente foi transformado na pomposa Confraria do Berimbau, quando passou a sediar a “Galeota de Ouro”, evento etílico e gastronômico fundado por um grupo de amigos. Funcionando como uma festa de camisas, o serviço era all inclusive, com uma grande variedade de cachaça, cerveja em lata bem gelada e o melhor “churrasquinho de gato” que se tem notícia.
A cada ano, reuniões de avaliação eram realizadas pelos membros da Confraria do Berimbau, e conferidas premiações em troféus pelos absurdos cometidos sob o efeito dos produtos etílicos durante o ano. Apesar de passar a impressão de que seria uma competição para verificar quem beberia mais, a concepção era premiar os praticantes dos excessos. O evento teve sua morte decretada a partir das divergências políticas e econômicas surgidas entre os confrades.
FUTURA EXPANSÃO
Com o sucesso obtido na reabertura, acrescentando a atividade de padaria ao já instalado bar, a nova proposta é ampliar as atividades, desta vez com a implantação de uma pousada. A intenção é ampliar o leque de oferta de serviços aos mesmos clientes do bar, merecedores de um bom descanso após a ingestão de alguns aperitivos. Nada como uma boa cama. Enquanto o serviço não é oferecido, Zé do Gás deixa sempre um colchonete de prontidão para as necessidades mais emergentes.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

CANAVIEIRAS DESBANCA SÃO PAULO E PROVA QUE O RODÍZIO COMEÇOU AQUI

Por Walmir Rosário
Parece que os historiadores têm memória curta! Impossível não se lembrarem de que rodízio de serviços prestados pelo governo e suas concessionários são coisa deste mundo moderno. Aí que vocês se enganam. Basta botar a mão na cabeça e puxar pela memória que vão se dar conta que não é São Paulo a pioneira no sistema de rodízio, nem mesmo a circulação de veículos, inaugurado anos atrás, nem o de água, cantado e reclamado em verso e prosa até os dias de hoje.
Já deveria estar inscrita no Guines Book, o livro de recordes, caso algum canavieirense de memoria e boa vontade assim quisesse. Bastaria um simples telefonema, um simplório e-mail para os gringos conferirem o feito e desbancar São Paulo. Pois fiquem sabendo quem interessar possa que esse feito ainda vai ser motivo de orgulho, com livros de teses escritos para comprovar essa orgulhosa marca. Para que se restabeleça a verdade, São Paulo pode, no máximo, alcançar o segundo lugar.
Esse motor ainda é pequeno em comparação ao Locomóvel
E era a “Locomóvel”, nome de batismo popular dado à possante máquina que aportou por aqui à bordo de um vapor da Bahiana e transportada à rua Ruy Barbosa, local de sede da briosa “Luz e Força”, ou para os menos esclarecidos o motor de luz. Quem não lembra da festa iniciada com discursos e foguetórios para comemorar a chegada de um potente motor de luz! Era a glória, para os políticos de então, a começar pelo prefeito Edson Castro, autor do pedido.
E chamava a atenção o tamanho da Locomóvel, que para os mais viajados parecia um motor de navio transatlântico, embora para outros se tratasse de uma cabeça de locomotiva vinda do exterior para gerar energia elétrica de qualidade em Canavieiras. Nem mesmo essa grandeza toda seria capaz de fornecer a potente iluminação – se comparada aos candeeiros, fifós, placas e aladins das residências – em toda a cidade.
Como a potencia foi reconhecida insuficiente, um conhecido eletricista recomendou ao prefeito que não se avexasse com isso e estabelecesse um rodízio no fornecimento da moderna energia elétrica disponível das 18 às 23 horas. E a energia se despedia solenemente, com os devidos avisos de antecedência do desligamento, para dar tempo aos notívagos e os mais afoitos casais de namorados chegarem a casa ainda no claro.
– Vai ser batata! – disse o eletricista ao prefeito, detalhando o projeto na ponta da língua:
– Num dia, a gente liga as ruas Ruy Barbosa (onde ficava a Locomóvel), rua 13 (que ainda não era Octavio Mangabeira), General Pederneiras e dos Pescadores. No outro será a vez do complexo de praças da Bandeira, 15 de Novembro, São Boaventura e a avenida J. J. Seabra (hoje ACM). No terceiro dia seriam contempladas a, Benjamim Constant, Marechal Deodoro e Barão de Cotegipe –.
E assim foi vivendo a sociedade canavieirense, que marcavam suas festas e demais eventos sociais para os dias de clarão em sua residência, gozando, portanto, das modernidades de então. Mas como a teoria de Murphy nos ensina que não existe nada ruim que não possa piorar, eis que a gloriosa Locomóvel bateu biela, quebrou pistom, queimou válvulas e chegou ao fim de linha. Eis que o que era ruim ficou pior.
Eram os tempos do prefeito Osmário Batista, que prometeu substituir a Locomóvel por um gigantesco motor, equipamento vindo do exterior, não se sabe ao certo se Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. Mas vinha com a missão de iluminar todo o território canavieirense, até a distante Potiraguá, ainda dentro dos seus domínios. Também não deu certo e o possante motor, logo apelidado de “elefante branco”, dada a sua pífia serventia.
Foi o caos. Mas eis que as gestões políticas e uma comissão de alto nível liderada pelo prefeito Edmundo Lopes de Castro fez ver ao governador Lomanto Júnior que uma cidade do porte e da importância de Canavieiras não podia ficar às escuras, sob pena dos eleitores não acertarem nem mesmo depositar os votos nas urnas.
Diante de tão qualificado e irrecusável apelo, eis que no dia 13 de dezembro de 1963 três conjuntos de moto geradores doados pelo governador Lomanto Júnior começam a funcionar, justamente no dia consagrado a Santa Luzia. Com isso, a Locomóvel foi aposentada e hoje, sequer, lembram dela, caiu no mais absoluto esquecimento.
Entretanto, os três pequenos conjuntos de moto geradores não se encontravam à altura dos costumes de tradições de Canavieiras. É certo que deu sua contribuição, aumentando em uma hora o fornecimento de energia elétrica – das 18 às 24 horas – o era um considerável avanço, mas a vida noturna, a boemia, já não podia continuar às escuras, o cinema pretendia exibir uma segunda sessão, o clube social continuar as festas até o raiar do dia e sem energia nada disso seria possível.
Foi então que no fatídico dia de 23 de agosto de 1973, sob as benções de Antônio Carlos Magalhães e do prefeito João Perelo, Canavieiras se integra ao seleto grupo de cidades interligadas ao sistema da Barragem do Funil e quiçá o moderno sistema de Paulo Afonso. Um dia como esse era especial e merecia uma comemoração à altura do benefício.
Imediatamente, um grupo de rapazes alegres e chegados a um dia de folguedos sugerem – ou melhor, já levaram pronto – o ato oficial para decretar feriado em todo o Município, inclusive no Banco do Brasil. E assim foi feito: O prefeito João Perelo assinou o decreto e a cachaçada “comeu no centro” até altas horas do dia seguinte.
Festejou-se muito, para nada! É que o governador Antônio Carlos Magalhães, o “Toinho Ternura” – que tinha fiat lux –, não estava presente às comemorações da nova iluminação e marcou uma nova data, 23 de outubro de 1973, esta oficial, com direito a aplauso de toda a sociedade. E para isso, um novo feriado foi decretado – também com a ajuda do grupo Tolé, Tedesco e cia.. – com o competente fechamento dos banco.
Mais uma homérica cachaçada, em que até um professor e ex-pastor – um homem de Deus, portanto – se juntou à gandaia. Uma festa de arromba, digna do esquecimento da Locomóvel, máquina usada e abusada para não deixar a cidade às escuras, mas agora aposentada e enterrada num ferro-velho qualquer desse Brasil afora.
Tolé até hoje ainda se lembra da maldade que fez com “velho professor” e da homérica ressaca sofrida. Mas, o que fazer, se até o Dr. Boinha Portela tinha colocado toda as mercadorias de O Berimbau à disposição dos amigos, com a recomendação expressa dada a Neném de Argemiro de não cobrar nada de ninguém, pois a farra seria bancado do seu próprio bolso.

Realmente, foi por uma causa justa, justíssima!

domingo, 22 de fevereiro de 2015

TODA AUSÊNCIA É ATREVIDA, MAS O CASTIGO NÃO TARDARÁ


Moqueca de Ovas de peixes
Como é amplamente sabido, o brasileiro aposta que toda a lei sancionada não vai pegar.. E isto está acontecendo até na Confraria do Berimbau, para o espanto dos confrades. Ainda nesta semana, apesar da ampla divulgação da entrada em vigor do Decreto-Lei que regulamenta o oferecimento dos tira-gostos, que obedece a uma lista de espera.
Pois não é que logo no primeiro sábado do instrumento legal em vigor, um dos confrades desafiou o Decreto-Lei 001-2015, chegando, de forma sorrateira e sem-cerimônia, com um prato de carne suína assada, deixando-a em cima do balcão. Imediatamente foi chamados às falas por tamanho desrespeito, denunciado e aguarda julgamento sumário.
Moqueca de Ovos de Galinha caipira
O confrade, cujo nome será mantido em sigilo até o julgamento, não conseguiu tirar o brilho das iguarias previamente anunciadas para o sábado (21): uma travessa de moqueca de ovas de peixe e outra de igual proporção de ovos de galinha, trazidas pelos confrades Hipólito e José Alves, respectivamente. Bom que se anuncie que os dois pratos já se encontravam devidamente inscritos para a assembleia semanal.
Na próxima semana, será a vez da especialidade de Carlos Niella, uma suculenta panelada de rabada bovina, iguaria utilizada pelo confrade para receber os amigos mais chegados.

Com a palavra, o Secretário Plenipotenciário da Confraria do Berimbau, que não costuma tergiversar nos assuntos jurídicos da Entidade, aplicando os rigores da Lei, custe o que custar...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

AGORA É LEI. PRA LEVAR TIRA-GOSTO TEM DE ENTRAR NA FILA


Secretário Plenipotenciário lê o Decreto-Lei
Bem que avisei que a ostentação não é um comportamento adequado para um botequim do nível de o Berimbau, mas como não acreditaram, deu no que deu. De acordo com Decreto-Lei editado, lido ao vivo e publicado no mural pelo Secretário Plenipotenciário do Berimbau, Antônio Amorim Tolentino, o Tolé, quem se candidatar a levar qualquer prato tem que se increver e entrar na fila de espera.
E, ainda por cima, tem que obedecer a uma série de trâmites burocráticos para que o seu prato seja aprovado, para que possa saciar o apetite dos membros presentes às sessões de sábado da Confraria do Berimbau. Nada mais é aleatório e é preciso conhecimento prévio das iguarias gastronômicas, com a finalidade de verificar se está de acordo com os padrões gustativos e conformidade com as questões de saúde pública.
Tolé publica o Decreto-Lei no mural
Pois em atitude solene, no sábado passado (14), em pleno reinado de Momo, com o Berimbau devidamente enfeitado com motivos carnavalescos, eis que o Secretário Plenipotenciário impõe respeito às normas e lê, item por item, os termos do Decreto-Lei.
E de considerando em considerando, é uma obrigação da Confraria do Berimbau zelar pela saúde e bem-estar dos confrades e que a grande ingestão de tira-gostos poderá causar certo desconforto nos delicados aparelhos digestivos, além do consequente crescimento de protuberância abdominal, conhecida vulgarmente como barriga.

Fila de Confrades para levar os tira-gostos





Democraticamente imposto, o “tenho dito” do Secretário Plenipotenciário deu início ao fim do atual quadro de congestionamento de tira-gostos reinante na Confraria do Berimbau. Imediatamente, os confrades interessados fizeram suas inscrições em livro próprio e ainda nesta semana serão informados os deferimentos e indeferimentos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Medidas urgentes deverão ser tomadas para evitar congestionamento de tira-gostos

Após a profusão de tira-gostos, um panelação de "galada"
A Confraria do Berimbau atravessa um dos seus piores problemas, nunca antes verificados em toda sua existência: o congestionamento de comidas e tira-gostos. O secretário Plenipotenciário da Confraria, Antônio Amorim Tolentino (Tolé), já estuda a implantação de medida corretivas e moralizadoras com a finalidade de corrigir esse grave problema.
O assunto já está sendo tratado como uma bagunça generalizada, embora a organização nunca tenha sido o “forte” dos confrades. O tema está sendo considerado um desvio de finalidade e merece um estudo aprofundado, no sentido de evitar a continuidade do costume. O excesso de tira-gostos já está sendo visto como de saúde pública, com risco de aumento no volume da silhueta abdominal dos confrades.
Após as reclamações, o Secretário Plenipotenciário prometeu um estudo profundo sobre o problema e tomar as medidas cabíveis para solucionar tal aberração. Na reunião deste sábado (14), estão sendo esperadas atitudes moralizadores com o objetivo de corrigir os desvios de conduta na vetusta entidade.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

ASSIM ERA A CONFRARIA DO BERIMBAU – OU O CONCEITUADO BAR DE NENÉM DE ARGEMIRO


Terra em que filho chora e mãe não ouve, na Confraria do Berimbau as homenagens feitas em verso pelo poeta Adelmar Santos foi acompanhada de um pedido, este nunca pago pelo primo Antônio Tolentino (Tolé). Nem mesmo a sublime dedicatória com fartos elogios foi suficiente para o cumprimento da missão póstuma. E dizia assim (ipis literis):
Ao insigne primo, amigo e inteligência rara da nossa mui leal, heroica e provinciana cidade.
17/4/05
Adelmar Santos

LÁPIDE

Adelmar Santos (*)
Meu epitáfio
(uma sentença esdrúxula)
será escrito com o luzir das estrelas
por um bando de anjos fraudulentos
que profanaram sempre a minha mente
durante todo o meu viver.
Os mistérios azuis do Rio Pardo
(rio dos meus versos amargos)
um rio sem antiguidades
formataram meus sonhos inexpressos
com o grito dos afogados
e o aval de deuses trôpegos
nas noites de orvalhos tépidos.
Por isto, na minha lápide
(construída com efêmera matéria)
despida de eternidade
estarão bem preservados:
os odores dos meus versos
as cinzas dos meus poemas
e o enigma da minha trajetória.

(*) Homenagem pré-postuma aos parceiros da Confraria do Berimbau.
Suscipe, domine, servum tuum in locum sperandae sibi salvaionia a misericordia tua. Amen. Libera, domine, anima servi tu ex omnibus periculis inferni, et de laqueis poenarum, et ex omnibus tribulationibus. Amem. Libera, domine anima servi tui, sicut liberasti Henoch et Eliam de communi morte mundi. Amen.”

(Tradução do latim para a "Última Flor do Lácio para os aflitos e desconhecedores da antiga língua)

Recebe, senhor, o teu servo, no lugar onde espere a sua salvação, pela tua misericórdia. Amém. Livra, senhor, a alma de teu servo de todos os perigos do inferno e dos laços dos castigos e de todas as tribulações. Amém. Livra, senhor, a alma de vosso servo, assim como livraste Enoque e Elias da morte comum do mundo. Amém.

10 ANOS SEM NENÉM DE ARGEMIRO


Walmir Rosário*
O trompete na parede; Zé do Gás serve a batida aos clientes
O seu retrato continua na parede. O mesmo acontece com o trompete, silencioso. Os amigos continuam no Berimbau, reaberto por Zé do Gás. Com isso, a clientela ficou mais perto de sua Terezinha. Até de sua filha Vera.
Mas, há 10 anos que ele partiu, ficando para sempre na história dos amigos, de Canavieiras, sua cidade do coração. É sempre assim, não existe outra fórmula para permanecer para sempre junto à família, aos amigos. A partida é certa.
Partiu e deixou amigos tantos, que relembaram e comemoraram os 10 anos de sua partida para a eternidade. E lugar melhor para relembrar de Neném é o Berimbau, onde mantave sua trincheira por anos a fio.
Entre uma conversa e outra, um brinde a um feito qualquer – mesmo que não seja coisa séria... melhor, ainda! – com o tilintar de copos. É o mais vívido sinal de que reina a alegria no ambiente. Afinal, o Berimbau não é lugar pra coisa séria – a não ser a amizade.
Neném, com seu trompete, ao lado de Juninho e Luiz Madeira
O trompete está mudo, na parede, pois a ninguém foi dada a permissão para tocá-lo, tirar o menor dos acordes frequentes, daqueles que estávamos acostumados a ouvi-lo. As notas musicais de antes são substituídas pelos instrumentos dos frequentadores, que costumam alegrar as manhãs e tardes de sábado.
Uma cachaça, uma cerveja, por favor! Vamos brindar a alegria. Alegria, sim, pois onde estiver, Neném está nos acompanhando de perto, tomando conta do Berimbau, não o físico, hoje a cargo de Zé do Gás, mas o espiritual, aquele que contagia, que congrega, que ajudar a viver melhor em sociedade.
Traz aí o mal-assado! Não tem? Como? Nem tudo é perfeito, mas foi uma simples falha do secretário que não lavrou a ata e cuidou das programações festivas. Que não torne a outra, pois o Berimbau é coisa séria!
*Frequentador semanal

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

CABEÇA DE ROBALO – O MANJAR DOS DEUSES

A iguaria, de origem canavieirense, também é desejada por presidentes da República, governadores de Estado, reis e até por “pobres mortais”

Por Walmir Rosário


Cabeça de Robalo elaborada pelo Restaurante Alegria de Viver,
 o prato tradicional da gastronomia de Canavieiras
Os deuses gostam de dendê, tanto isso é verdade que um dos pratos mais desejados da riquíssima gastronomia canavieirense é a “cabeça de robalo”. Disto não se tem qualquer dúvida. A incerteza de quem ainda não foi apresentado a esse manjar dos deuses é apenas em relação à matéria-prima, pois os pobres mortais que ainda não tiveram o prazer de degustá-lo não concebem, à primeira vista – ou audição – de como os deuses poderiam apreciar uma parte do peixe cheia de ossos e espinhas.

À primeira vista da iguaria, desfaz-se a incerteza com a imagem, saliva-se a boca, aguça-se o paladar, despertando o primeiro dos sete pecados capitais: a gula. Pessoas de gosto refinado e alto conhecimento gastronômico contam que é impossível de controlar os instintos. Chegam ao ponto de afirmar o ato de comer cabeça de robalo, está longe ser ser um pecado capital, e é, sim, uma virtude, pondo por terra a teoria desenvolvida pelo Papa Gregório Magno no século VI.

E têm razão os nobres defensores desta tese. Pra início de conversa, a cabeça de robalo é um prato exclusivo da gastronomia canavieirense, onde os manguezais são considerados os maiores e mais ricos do Brasil, dada a sua diversidade. Não é por acaso que o caranguejo – Ucides cordato – de Canavieiras é tido e havido como o mais gostoso crustáceo de toda a costa brasileira.

E as virtudes gastronômicas da cabeça de robalo ultrapassaram as fronteiras de Canavieiras e Costa do Cacau, chegando a Salvador, Brasília, outros estados e até países. Passou pelas cozinhas e chegou aos salões de banquetes de palácios republicanos e conquistou – definitivamente – a realeza. Por dois anos seguidos o Rei e a Rainha da Suécia, Carlos XVI Gustavo e Sílvia vieram desfrutar do verão de Canavieiras, onde o Rei praticou a pesca do marlim e o casal se deliciou de algumas vezes com a iguaria.

Hoje deitada em berço esplêndido, a cabeça de robalo nasceu em casa tosca, como relata Edelzuita Maria Santana, que aprendeu a preparar esse prato com sua mãe. Aos poucos, a cabeça de robalo deixava de ser apenas um prato inusitado para ganhar status de prazer culinário. Do modesto bar e restaurante “Fundo de Quintal”, ganhou o mundo.
Dona Edelzuíta foi a criadora do prato mais famoso de Canavieiras
Dona Edelzuíta foi a criadora do prato mais famoso de Canavieiras
Nas histórias contadas pelo historiador Antônio Tolentino (Tolé), era muito comum eles levarem os colegas do Banco do Brasil para comer a novidade e eles comerem tudo e ainda perguntarem “Quando é que vem essa cabeça de robalo, pois já comemos toda a entrada?”. Para eles isso era motivo de constantes brincadeiras e que ganhava o mundo.

O Raimundo Antônio Tedesco, conta em suas reminiscências, que quando a cabeça de robalo se tornou amplamente conhecida, tentaram até mudar o seu nome para top less, numa alusão à moda criada na Inglaterra em que as mulheres ficam com os seios à mostra na praia. “Mas esse nome não pegou e o que prevaleceu mesmo foi cabeça de robalo.

Surfando na onda do marketing concebido pelo prefeito de Canavieiras à época (e atual), Almir Melo, que cunhou o slogan “Canavieiras para todos, Canes para os íntimos”, a cabeça de robalo também ganhou rápida ascensão. Em um Carnaval, Almir Melo encomendou 600 cabeças de robalo, que foram consumidas vorazmente, para o desespero dos convidados.

O prefeito Almir Melo é muito “cobrado” pelas autoridades, a exemplo de Jaques Wagner e até mesmo do ex-presidente Lula (recentemente em Salvador) quando se encontra com eles. Em Feira de Santana, durante a entrega de caminhões e máquinas aos municípios baianos, até a presidenta Dilma manifestou sua predileção pela iguaria, quando foi informada pelo governador: É ele o prefeito de Canavieiras que nos manda a cabeça de robalo!”, disse Wagner.

E assim a presidenta Dilma deu uma pequena pausa na cerimônia para manifestar seu desejo em voltar a receber uma boa remessa de cabeça de robalo. Na alta corte de Brasília, aliás, faz tempo em que os presidentes se deliciavam com a novidade canavieirense, levada, pelo que dizem, por político Antônio Carlos Magalhães.

Matérias foram elaborados e publicadas nos veículos de comunicação, para o desespero de dona Edelzuita, que não aguentava mais para atender a tantas encomendas. “Almir foi o grande incentivador e divulgador da cabeça de robalo e já cheguei a ir a Salvador, convidada por um dos políticos mais famosos da Bahia, para preparar na festa de casamento. “Foi sucesso absoluto”.

Com o aumento das encomendas – que teria de despachar, inclusive por via aérea –, aos poucos, ela foi passando o conhecimento para outras pessoas e atualmente algumas pessoas se destacam no preparo da cabeça de robalo. Uma delas é Conceição de Oliveira, que diz ser o melhor caranguejo para a cabeça de robalo o catado de dezembro a agosto, principalmente nos meses em que não têm a letra “r” no nome.

Segundo Conceição, é preciso observar a melhor época para preparar a cabeça de robalo, respeitando, inclusive o período do “defeso”. Nesta época, diz ela, somos muito cobradas pelos clientes, mas não podemos transgredir a lei e nem vender um produto que não seja de qualidade.

Gostoso de comer, trabalhoso de fazer. Assim é a cabeça de robalo. Mas é a lei da oferta e da procura, pregada pela economia. No caso de cabeça de robalo, não se economiza atenção na hora de lavar e escovar bem a carapaça, quebrar as pernas e “catar” (tirar a “carne” das patas do caranguejo). Abra a carapaça com uma faquinha e retire tudo que tem dentro, inclusive o fel; tempere as “carnes” até o tempero murchar e recoloque no lugar.

Os temperos são: coentro e cheiro verde, tomate, cebola, pimentão, pimenta-de-cheiro, camarão, biri-biri, leite de coco e dendê. Leve a panela ao fogo, vá colocando o dendê e o leite de coco aos poucos. Deixe cozinhar como moqueca, e com o caldo faça um pirão. Depois é só servir com pirão e arroz branco. Mas, em vez de tentar prepará-lo, se torna mais fácil comprá-lo (congelado) numa das tantas especialistas canavieirenses, ou pronto no Restaurante Alegria de Viver, por exemplo, e desfrutá-lo, à beira-mar. É mais garantido.

E desta maneira, pode usar e abusar dos pecados capitais, a exemplo da luxúria, deixando-se dominar pelas paixões; a preguiça, após comer à vontade; a vaidade, pelo orgulho de ter comido bem … e muito…. Quanto à inveja, deixe que os outros que não provarão possam ter por você. Com certeza, lhe darão razão no futuro.

domingo, 11 de janeiro de 2015

CONFIRMADO: MAL-ASSADO REINOU ABSOLUTO NA CONFRARIA DO BERIMBAU

De volta uma das tradições do primeiro sábado do mês, o mal-assado de Zé do Gás ornamentou balcão, mesas e estômagos. É certo que este mês chegou com um certo atraso, mas promete retornar no dia 7 de fevereiro próximo, com tudo que tem direito.
Tolé faz as honras da casa, cortando o mal-assado