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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

FUTEBOL, MAIS QUE ESTATÍSTICA, PURA EMOÇÃO

 


Por Walmir Rosário

Nesta quinta-feira (22), recebi um monte de manifestações de amigos por conta da crônica “Flamenguistas querem esquecer o jogo do senta”, um texto despretensioso com o objetivo de lembrar o futebol arte. Amigos parabenizaram, outros nem tanto, fizeram beicinho, mandaram de volta escudos do Flamengo, José Senna reclamou que futebol não era museu, o mestre Isaac Albagli respondeu com crônica no Jornal Bahia Online.

Tudo no campo das ideias, o que considero pouco para o futebol, a alegria do povo, o esporte jogado com os pés, inventado pelos ingleses e que contagiou o mundo. Homens e mulheres praticam atualmente o esporte bretão – como diziam nossos cronistas esportivos – com a mesma habilidade, enchendo estádios, criando uma rivalidade entre torcedores. Não é mais a pátria de chuteiras, mas ainda é o número um dos esportes no mundo.

Sou um botafoguense de quatro costados, é fato, e é justamente por isso que consigo ver o futebol por outro prisma. Só quem é botafoguense sabe ver nesse esporte uma paixão. Há quem diga que somos abilolados, apenas dou risadas, pois determinadas coisas só acontecem com o Botafogo. É roubado em campo, mas não apela para a violência, seja qual a qualidade dos jogadores. Não falei de placar, goleadas, mas de vexame.

Me lembro de do botafoguense João Saldanha na rádio Globo, nos anos 1970, que prestou uma homenagem ao Fluminense com a narração do gol do Botafogo, justamente na partida em que o Fogão ganhou por um a zero, tinha o maior número de pontos e se consagrou apenas vice-campeão carioca. Armação dos cartolas da triste Federação Carioca, que modificou as regras em pleno campeonato para beneficiar o time de Horta.

O Botafogo é diferente. Mesmo com um time modesto, o torcedor vai a campo e torce até mesmo nos treinos, talvez pela tradição. O Botafogo nunca foi simplesmente um time de futebol e seus atletas jogadores, ao contrário, sempre foi uma constelação, formada por estrelas de primeira grandeza, de fazer inveja aos rivais. Lembra do goleiro Manga, aquele que cobrava o bicho antecipado nas partidas contra o Flamengo. Isso é ser botafoguense.

Mas vamos falar de qualidade. A Seleção Brasileira somente se firmou no contexto internacional, ganhado copas do mundo, quando a maioria do nosso selecionado era formada por jogadores da estrela solitária. Nada que desmereça os demais, apenas cedeu os jogadores certos – junto com o Santos – para fazer o selecionado canarinho brilhar e ganhar nos campos da Europa.

Como não lembrar da grandeza do lateral esquerdo Nílton Santos, a enciclopédia; o meio-campista Didi, inventor da folha seca; o ponteiro-esquerdo Zagalo, o formiguinha que criava em todo o campo...Mas ainda é pouco. Amarildo, o possesso, que substituiu – à altura – Pelé na copa de 62 no Chile. Rildo, o furacão Jairzinho, o canhotinha Gérson, o centroavante Roberto e Paulo Cezar Caju fizeram história nas copas.

Gosto de lembrar do Botafogo de todas as épocas e nem vou consultar os anais dos campeonatos para falar do bom futebol brasileiro. Nós – da torcida que cabe numa kombi – como dizem, sempre fomos maioria até mesmo no Alto Beco do Fuxico, para o desespero do saudoso amigo e irmão Renan Sílvio Santos, José Senna (ambos flamenguistas) e et caterva.

E logo no Alto Beco do Fuxico, local onde os confrades debatem futebol entre uma cachaça de qualidade e cerveja bem gelada, desde os tempos que éramos servidos por Ithiel, torcedor do Fluminense. Nesse ponto concordo com Isaac Albagli, não há lugar melhor do mundo para um debate futebolístico do que em mesa de bar. Parece que os dribles dados nos adversários são mais bonitos, os gols mais espetaculares.

Confesso que mesmo perdendo o jogo não abandonamos a piada. Não há nenhum demérito admitir que atualmente o Flamengo é a maior equipe do Brasil em número e qualidade de craques. Pelo contrário, eu, que gosto do futebol bem jogado, me sinto feliz quando o Botafogo enfrenta o todo-poderoso Flamengo e empata ou perde o jogo com o decisivo gol do décimo terceiro jogador, o VAR (o décimo segundo é o juiz central).

Gosto das prateleiras empoeiradas de onde retiro as glórias do Botafogo sobre o Flamengo, apenas para mostrar nossa altivez – na terra e no mar –, aplicando as merecidas surras. Quando perdemos, nos recolhemos, mas em nenhum momento sumimos do convívio das torcidas coirmãs, acredito por possuirmos o couro grosso e a experiência de apanhar e bater.

Minha estrela é mais que solitária, é altaneira como a constelação que sempre foi o Botafogo, daí a diferença entre o botafoguense e o flamenguista. Não ficamos emburrados, chorando o leite derramado. Apenas sabemos diferenciar a emoção dos números frios da estatística da paixão. Nada melhor do que ganhar bem, no campo. Perder é apenas uma consequência que faz parte do futebol.

Gostaria de dedicar essas mal traçadas linhas a um flamenguista, o saudoso José Adervan, que hoje estaria feliz com o seu Flamengo, mas nem por isso chorava quando perdia para o Botafogo, apenas pagava o churrasco da aposta feita ao não menos saudoso botafoguense Robson Nascimento. E continuaremos o papo apreciando uma cervejinha e uma branquinha, com ou sem pandemia, afinal estaremos protegidos pelo chapéu e os artigos etílicos.

*Radialista, Jornalista, advogado e botafoguense


sexta-feira, 29 de julho de 2016

Folhas de jamaica pelo serviço expresso


Walmir Rosário*
Dias desses, por ocasião de uma das reuniões de sábado da Confraria do Berimbau, falei sobre a dificuldade de bebermos, em Canavieiras, uma boa cachaça de folha, da música “Tarde em Itapuã”, do poeta Vinícius de Moraes, que troquei para “cachaça de folha”. Nunca achamos as folhas boas que queremos ou uma cachaça destilada que se preze pela qualidade.
As duas juntas e engarrafadas que temos notícia não merece tanta confiança e credibilidade. Nada contra as folhagens (que geralmente se prestam para a mistura), mas o problema reside na qualidade da cachaça, nem sempre muito confiável por essas paragens. E a cachaça de folha tem que ser um “casamento perfeito”: boas folhas, ótima destilada.
Na minha reserva especial de cachaça sempre há espaço para as destiladas – descansadas ou não – de boa procedência. Sempre sentenciei como crime inafiançável misturar uma boa destilada com elementos estranhos, como o limão, que, comprovadamente, tem causado males diversos aos intestinos e estômagos mais delicados.
Mas sempre abri exceção para a mistura com as folhagens diversas, desde que não sejam amargas, a exemplo de “pau-de-rato”, “Milome”, “carqueja”, “boldo”, dentre outras. Não coloco o “jiló” no mesmo balaio, pois as histórias sobre essa mistura já causou alguns dissabores na masculinidade de alguns desavisados no bairro da Conceição, em Itabuna.
Já outras folhagens, do tipo mais amigável ao paladar, são sempre bem-vindas. A começar pela “catuaba”, “angico”, “jatobá”, cravo, canela, “angélica”, “alecrim”, “figo”, “gengibre” e até mesmo tempero pra peixe, uma mistura rica em alho, cebola em cabeça e verde, tomate, hortelã, pimentão e por aí a fora.
Em Itabuna, essas preciosidades sempre foram encontradas nas boas casas do ramo, aquelas não não economizam dois reais na hora de adquirir uma boa destilada para servir à seleta clientela. Exemplos que merecem ser lembrados são as “farmácias” de Dortas, na esquina do beco do Fuxico com o Calçadão da Ruy Barbosa, de Batutinha, no Médio Beco do Fuxico, e até de Ithiel Xavier, no início do bar no Alto Beco do Fuxico e que serviu de inspiração para a Confraria do mesmo nome.
Ainda no Alto Beco, na esquina da travessa Ithiel Xavier com a rua Duque de Caxias, estava implantada a mercearia de Alcides Rodrigues Roma, ponto de apoio da boemia frequentadora daquelas paragens. Ao lado dos sacos de milho e feijão, um cavalete com carne do sol e jabá (ambas com dois vistosos pelos), preferida para o tira-gosto entre uma cachacinha e outra.
Aliás, é bom que se diga que a especialidade da casa, era a “angélica”, considerada pelos consumidores a bebida sublime, a preferida dos clientes. E nada melhor do que uma jabá assada como prato de resistência. E não era preciso nenhum chef em culinária para prepará-la ao gostos dos fregueses.
Bastava apenas envolvê-la num papel pardo de embrulho, ensopar o pacote com bastante álcool 90 graus, colocá-lo no prato da balança e riscar o fósforo. Após o fogo apagado, desembrulhar a carne, bater com a faca na carne para tirar o excesso de sal e cortá-la em pequenas fatias. Pronto, com uma iguaria dessa qualidade não ficava ninguém com fome.
Num desses domingos em que todos se preparavam para ir ao futebol no Itabunão – era dia de Itabuna e Vasco da Gama –, eis que aparece uma visita ilustre na mercearia de Alcides Rodrigues Roma, tendo como anfitrião Paulo Fernando Nunes da Cruz, o Polenga. Era o então presidente vascaíno Eurico Miranda, que diante da fama da angélica e da jabá, desprezou o almoço do Pálace para experimentar o inusitado prato.
Mas preciso retomar o fio da meada, para não embaralhar a cabeça dos leitores com tantas informações, às vezes desencontradas e que podem levar ao coma alcoólico. Ante ao meu questionamento, de pronto, um amigo resolveu atender, em parte, minha solicitação, dizendo conhecer um pé de pimenta jamaica inexplorado, mantido por ele longe dos olhares de cachaceiros.
O receio de Antônio Alves (Tonhão, ou Tonhe Elefoa), técnico agrícola aposentado da Ceplac, é que a árvore venha a ser alvo dos consumidores de cachaça com folha e venham a desfolhá-la. Garantiu que supriria as minhas necessidades, colhendo algumas folhas, que seriam entregues em data próxima.
Nem bem passou uma semana e ao chegar em casa e vasculhar a caixa de correspondência para conferir a entrega dos Correios, me deparo com o compartimento cheio de folhas. Fiquei pasmo e pensei que seria um novo serviço dos Correios para tapar o rombo nas suas contas, mas abandonei a ideia por achar estapafúrdia.
Em seguida, meu pensamento voltou-se para as crianças vizinhas que brincam na rua tocando as campainhas e se escondendo que tinham feito mais uma travessura. Ao chegar mais perto para retirar as folhas, reconheci o cheiro das folhas de pimenta jamaica e fui me lembrar da promessa feita por Tonhão na Confraria do Berimbau.
Olhei para as folhas e já vislumbrei elas dentro de um litro misturadas com uma boa destilada – ainda não repousada – trazida do Bar do Jacaré, em Itajuípe, pelo amigo Cláudio da Luz. Um casamento perfeito, digno de saboreá-las ouvindo a música Tarde em Itapuã, tendo o cuidado de trocar as palavras cachaça de rolha por cachaça de folha.
* Apreciador das boas bebidas


quinta-feira, 28 de março de 2013

Depois de tombado, ABC da Noite fecha na Semana Santa

Clientes batem a cara na porta e Caboclo Alencar diz
que Estado é laico, mas não quer briga com a Igreja

Os clientes do ABC da Noite estão achando muito estranho a mudança no comportamento do Caboclo Alencar depois que a prefeitura de Itabuna promoveu o tombamento da tradicional instituição cachacística do Baixo Beco do Fuxico.

Alguns chegam a dizer que Alencar está ficando metido a importante, pois agora fecha o estabelecimento na quinta-feira santa, dia, segundo eles, de se preparar para o maior dia santo no calendário litúrgico católico. Reclamam, ainda, que falta a publicação de uma agenda, com os dias de funcionamento.

Procurado pela reportagem do Confraria do Alto Beco do Fuxico, Caboclo Alencar fez questão de esclarecer os fatos e diz que os clientes não têm a menor razão em fazer uma reclamação deste tipo. Ele nega que tenha fechado o estabelecimento na quinta-feira santa e afirma, categoricamente:

– Ora, mande esses caras curtirem o vício em outra freguesia. Sequer eu abrir o ABC da Noite nesta quinta-feira santa, como é que eu iria fechá-lo? – explica Caboclo Alencar, alertando para as armadilhas da língua portuguesa.

quarta-feira, 6 de março de 2013

CONFRARIA “NASCE” NA PRÉ-LAVAGEM DO BECO DO FUXICO

Um bom bate-papo entre um copo e outro

Nesta sexta-feira (8), às 18 horas, será inaugurado o Bar Confraria, localizado na travessa Ithiel Xavier, no Alto Beco do Fuxico. A proposta da direção é proporcionar aos frequentadores um cardápio com uma carta de bebidas quentes bem variada – cachaças das melhores regiões produtoras do Brasil, entre outros destilados –, e tira-gostos com base na conhecida comida de boteco.

Para animar os foliões, José Sena promete muita música ao vivo, com animação do Grupo Amor a Dois, além do conjunto musical Aroldinho, Godó e Oscar, com um vasto e variado repertório. Promete José Sena, manter o Confraria como um reduto da boemia itabunense, servindo o melhor da gastronomia de boteco, consagrada em todo o Brasil, mas com um toque grapiúna.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Confraria do Alto Beco do Fuxico promove confraternização


Sexta-feira (12 de dezembro de 2012) foi mais uma data histórica para ser inserida nos anais da Confraria do Alto Beco do Fuxico. Tudo isso por mais uma promoção: a confraternização festiva de fim de ano para comemorar o Natal e Ano Novo.

Este ano, a festa sofreu modificações no seu formato, com a retirada dos plenos poderes antes conferidos ao confrade José D’Almeida Senna, conhecido como o Ibrahim Sued do Beco, dada a sua condição de promoter. Despidos dos superpoderes ditatoriais, a pela primeira vez a festa foi realizada com a participação de todos os confrades.

Pra início de conversa, ficou decidido e combinado que a cada grupo de três confrades seria dada a incumbência de providenciar e oferecer um prato para o evento, o que foi considerado bastante positivo. Pela primeira vez, além de “dar um pé-na-bunda” dos intrusos, houve abundância e diversidade gastronômica, com pratos dos mais diversos da culinária nacional e internacional. Já a bebida, como sempre, ficou por conta dos confrades participantes.

Este ano, a confraternização teve a animação de Paulo Maia, nos teclados, participação especial de Rafael Barreto (violão e voz), e saxofone. Entre um papo e outro, a noitada de confraternização rolou até altas horas da madrugada.
Para o ano tem mais!