Mostrando postagens com marcador Confraria do Berimbau. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Confraria do Berimbau. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Folhas de jamaica pelo serviço expresso


Walmir Rosário*
Dias desses, por ocasião de uma das reuniões de sábado da Confraria do Berimbau, falei sobre a dificuldade de bebermos, em Canavieiras, uma boa cachaça de folha, da música “Tarde em Itapuã”, do poeta Vinícius de Moraes, que troquei para “cachaça de folha”. Nunca achamos as folhas boas que queremos ou uma cachaça destilada que se preze pela qualidade.
As duas juntas e engarrafadas que temos notícia não merece tanta confiança e credibilidade. Nada contra as folhagens (que geralmente se prestam para a mistura), mas o problema reside na qualidade da cachaça, nem sempre muito confiável por essas paragens. E a cachaça de folha tem que ser um “casamento perfeito”: boas folhas, ótima destilada.
Na minha reserva especial de cachaça sempre há espaço para as destiladas – descansadas ou não – de boa procedência. Sempre sentenciei como crime inafiançável misturar uma boa destilada com elementos estranhos, como o limão, que, comprovadamente, tem causado males diversos aos intestinos e estômagos mais delicados.
Mas sempre abri exceção para a mistura com as folhagens diversas, desde que não sejam amargas, a exemplo de “pau-de-rato”, “Milome”, “carqueja”, “boldo”, dentre outras. Não coloco o “jiló” no mesmo balaio, pois as histórias sobre essa mistura já causou alguns dissabores na masculinidade de alguns desavisados no bairro da Conceição, em Itabuna.
Já outras folhagens, do tipo mais amigável ao paladar, são sempre bem-vindas. A começar pela “catuaba”, “angico”, “jatobá”, cravo, canela, “angélica”, “alecrim”, “figo”, “gengibre” e até mesmo tempero pra peixe, uma mistura rica em alho, cebola em cabeça e verde, tomate, hortelã, pimentão e por aí a fora.
Em Itabuna, essas preciosidades sempre foram encontradas nas boas casas do ramo, aquelas não não economizam dois reais na hora de adquirir uma boa destilada para servir à seleta clientela. Exemplos que merecem ser lembrados são as “farmácias” de Dortas, na esquina do beco do Fuxico com o Calçadão da Ruy Barbosa, de Batutinha, no Médio Beco do Fuxico, e até de Ithiel Xavier, no início do bar no Alto Beco do Fuxico e que serviu de inspiração para a Confraria do mesmo nome.
Ainda no Alto Beco, na esquina da travessa Ithiel Xavier com a rua Duque de Caxias, estava implantada a mercearia de Alcides Rodrigues Roma, ponto de apoio da boemia frequentadora daquelas paragens. Ao lado dos sacos de milho e feijão, um cavalete com carne do sol e jabá (ambas com dois vistosos pelos), preferida para o tira-gosto entre uma cachacinha e outra.
Aliás, é bom que se diga que a especialidade da casa, era a “angélica”, considerada pelos consumidores a bebida sublime, a preferida dos clientes. E nada melhor do que uma jabá assada como prato de resistência. E não era preciso nenhum chef em culinária para prepará-la ao gostos dos fregueses.
Bastava apenas envolvê-la num papel pardo de embrulho, ensopar o pacote com bastante álcool 90 graus, colocá-lo no prato da balança e riscar o fósforo. Após o fogo apagado, desembrulhar a carne, bater com a faca na carne para tirar o excesso de sal e cortá-la em pequenas fatias. Pronto, com uma iguaria dessa qualidade não ficava ninguém com fome.
Num desses domingos em que todos se preparavam para ir ao futebol no Itabunão – era dia de Itabuna e Vasco da Gama –, eis que aparece uma visita ilustre na mercearia de Alcides Rodrigues Roma, tendo como anfitrião Paulo Fernando Nunes da Cruz, o Polenga. Era o então presidente vascaíno Eurico Miranda, que diante da fama da angélica e da jabá, desprezou o almoço do Pálace para experimentar o inusitado prato.
Mas preciso retomar o fio da meada, para não embaralhar a cabeça dos leitores com tantas informações, às vezes desencontradas e que podem levar ao coma alcoólico. Ante ao meu questionamento, de pronto, um amigo resolveu atender, em parte, minha solicitação, dizendo conhecer um pé de pimenta jamaica inexplorado, mantido por ele longe dos olhares de cachaceiros.
O receio de Antônio Alves (Tonhão, ou Tonhe Elefoa), técnico agrícola aposentado da Ceplac, é que a árvore venha a ser alvo dos consumidores de cachaça com folha e venham a desfolhá-la. Garantiu que supriria as minhas necessidades, colhendo algumas folhas, que seriam entregues em data próxima.
Nem bem passou uma semana e ao chegar em casa e vasculhar a caixa de correspondência para conferir a entrega dos Correios, me deparo com o compartimento cheio de folhas. Fiquei pasmo e pensei que seria um novo serviço dos Correios para tapar o rombo nas suas contas, mas abandonei a ideia por achar estapafúrdia.
Em seguida, meu pensamento voltou-se para as crianças vizinhas que brincam na rua tocando as campainhas e se escondendo que tinham feito mais uma travessura. Ao chegar mais perto para retirar as folhas, reconheci o cheiro das folhas de pimenta jamaica e fui me lembrar da promessa feita por Tonhão na Confraria do Berimbau.
Olhei para as folhas e já vislumbrei elas dentro de um litro misturadas com uma boa destilada – ainda não repousada – trazida do Bar do Jacaré, em Itajuípe, pelo amigo Cláudio da Luz. Um casamento perfeito, digno de saboreá-las ouvindo a música Tarde em Itapuã, tendo o cuidado de trocar as palavras cachaça de rolha por cachaça de folha.
* Apreciador das boas bebidas


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Crime ecológico abala a Confraria do Berimbau – culpados serão punidos, diz Secretário Plenipotenciário

Walmir Rosário
O local ensolarado pela falta do pé de abiu chama a atenção
Por falta do que fazer não era, mesmo assim pouquíssimos membros da Confraria do Berimbau percebiam o pé de Abiu (Pouteria caimito), frondosa árvore frutífera da família Sapotaceae, ao lado das mesas do Berimbau. No mínimo, acreditavam que plantas, com suas raízes e folhas teriam importância e serventia era do lado de dentro do balcão, mais exatamente no interior daqueles litros e garrafas conhecidas como “folhas podres”.

E olha que a sombra do galhardo abieiro refrescava – e muito – os sábados ensolarados em que costumeiramente se consumiam – e consomem – cervejas, cachaças e o deliciosos tira-gostos. Por falar em comida, no Berimbau é Lei: bebeu tem que comer. E a organização interna prescreve que no primeiro sábado do mês, o cardápio é o tradicional mal-assado, já nos seguintes, fica a cargo dos confrades que submetem à diretoria o prato que deverão levar.

Mas, e o crime? Qual foi? Quem cometeu? Pois é, o fiel e prestimoso pé de abiu teve um fim trágico, sem direito a julgamento. Foi condenado e executado sem defesa...quer dizer, até teve, mas sem fôlego. Pior, ainda, sem ser velado. Certeiros golpes de machado e virou lenha, deve ter ardido num forno de uma dessas padarias ou pizzarias da cidade.

Pior, foi derrubado por engano. Jura, Zé do Gás, que jamais cometeria uma atrocidade desta com o abieiro plantado com todo cuidado e carinho pelo estimado sogro Neném de Argemiro. Além do mais, foi transformado em árvore de estimação pela sogra Terezinha Sarmento, transmitida em testamento para a esposa Vera.

Deus me livre de uma blasfêmia dessas”, jura Zé do Gás, imputando toda a culpa ao contratado para derrubar um toco que restava no quintal, sobra de uma árvore, esta, sim sem serventia e que ainda atrapalhava a expansão das atividades da Confraria do Berimbau. Até mesmo o padeiro – que nada tinha a ver com o feito – não acreditou quando percebeu as primeiras machadadas certeiras o inocente abieiro
 
Mas nem todo o valor sentimental da família Sarmento e dos membros da Confraria do Berimbau foram suficientes para conter o tresloucado gesto do insensível machadeiro. Foram cerca de 10 cortes de machado em cada lado e o abieiro, considerado um membro da família veio abaixo. Sem dó nem compaixão.

Mas o pior ainda estava por vir. Bastou dona Terezinha vislumbrar a grande claridade deixada pela ausência do abieiro para se dar conta de crime cometido. Imediatamente, convocou os membros da família para cobrar a autoria do crime, pois, afinal, o exemplo começa em casa. Enquanto a filha Vera negava peremptoriamente qualquer participação do hediondo crime ambiental, Zé do Gás se desculpava sob o argumento de que se encontrava nos “braços de Morfeu”, como se fosse possível se encontrar em pleno sono num momento delicado dessa magnitude.

Pela leis do Berimbau, o crime ambiental será levado à apreciação do Secretário Plenipotenciário, que deverá abrir uma investigação para apurar as responsabilidades. Uma das linhas de investigação apontou que o abieiro teria sido abatido para dar lugar à construção de um mictório para os confrades e uma churrasqueira, conforme projeto elaborado pelo engenheiro de Minas, Gilbertão.

De antemão, ficou convocado o engenheiro agrônomo José Alves, especialista em paus e madeiras, que deverá prestar compromisso e restabelecer a vegetação original.

Justiça será feita, doa em quem doer”, falou do alto de sua autoridade o Secretário Plenipotenciário de O Berimbau.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

“As Muquiranas” estão de volta e reestreiam na lavagem da Igreja de São Boaventura


E “As Muquiranas” estão de volta
Homens travestidos de mulher, com toda a esculhambação permitida. Ainda não será desta vez que as “meninas” do Bloco Carnavalesco “As Muquiranas” reestrearão num clima de apoteose, em respeito ao Santo Padroeiro de Canavieiras. Mas prometem voltar às ruas de Canavieiras durante o cortejo e lavagem das escadarias da Festa de São Boaventura. A concentração está marcada para as 8 horas de domingo, dia 12 de julho, na praça Maçônica, onde tem início o cortejo, que desfila pela Rua 13 e final na Igreja Matriz de São Boaventura.

Durante a lavagem da escadaria da Igreja a apresentação será feita com uniforme condizente com a ocasião: uma camisa de malha com a logomarca do bloco e a figura de São Boaventura. Cada camisa tem o custo de R15,00 (quinze reais) e poderá ser obtida com os dirigentes da agremiação ou na Confraria do Berimbau. Além dos associados de “As Muquiranas”, no evento do cortejo e lavagem serão aceitas participações de outras pessoas, que poderão ser apresentadas pelos seus membros.

Na praça São Boaventura, “As Muquiranas” implantarão uma barraca com comidas apropriadas para a incursão etílicas, como sarapatel, mocofato, dentre outras especialidades capazes e apropriadas para dar sustança aos participantes da festa, bem como bebidas variadas. Os recursos obtidos na barraca serão transformados em fundo de investimento e custeio para os foliões durante o Carnaval de 2016.
 
Contribuições – Desde sua refundação sob as bençãos da Confraria do Berimbau, o Bloco “As Muquiranas” já conta com quase uma centena de sócios contribuintes, que comparecem à tesouraria através de um carnê de pagamento mensal. A previsão da diretoria é a realização de um grande Carnaval, relembrando os tradicionais desfiles de anos anteriores, quando atraiam foliões de outras cidades circunvizinhas.
 
Conforme dados e fotos históricos, o bloco “As Muquiranas” contavam em seus desfiles com personagens com Juca Seara, Biriri, Geraldo Carneiro, José Leal, Almir Melo, lourival e Alício Monteiro, Orlando Maia, Tedesco, Bira Magnavita, Negão, Chico Soussa, Edmundo Melo, Dr. Sócrates, José Garcia, dentre outros. Para relembrar os antigos carnavais e seus membros, na barraca da praça São Boaventura serão exibidas fotos das festas de escolha da Rainha do Bloco e os memoráveis desfiles carnavalescos.

Segundo uma pré-programação, na sexta-feira do Carnaval de 2016 será realizada uma monumental festa para a tradicional escolha da Rainha de “As Muquiranas”. No domingo e na terça-feira de Carnaval “As Muquiranas” realizam o tradicional desfile pela Rua 13, devidamente fantasiados. Os sócios contarão com diversos serviços inerentes à folia como um carro de apoio servindo bebida aos participantes.
 
A Diretoria de “As Muquiranas” é composta por Hipólito Lucena - Presidente, Vice-presidente - João de Cezário, Secretário Daeltto Santos Brito, Tesoureiros - Nelson Barbosa, Nei Pinto e Trajano Júnior, Diretor de Eventos - Abel Lisboa, Diretor Social – Edmundo Melo, Diretor de Marketing – Walmir Rosário, Diretoria de Assuntos Especiais – Antônio Tolentino e José Gama, Conselho Fiscal - Severo, José Bandeira e Tolentino da Piaçava.

Contatos: 73-9933-0330, 9967-6733 e 9975-1044.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Expansão do Berimbau – de bar a padaria e quem sabe...


A motocicleta com o baú é mais comodidade ao cliente
Na França, o costume é cada um passar na padaria, comprar sua baguete, colocá-la debaixo do braço, sem embalagem, e levá-la para casa. No caminho, uma parada num café, num bistrô, sempre com a baguete ao lado. No Brasil, temos dois costumes, ir à padaria comprar os pães ou pedi-los pelo delivery, meio mais prático, mas nem sempre o mais barato, já que na composição do preço entra um novo componente: o moto entregador.

Em Canavieiras, um serviço foi resgatado de tempos passados e é a padaria quem vai à casa do cliente. A inclusão dessa modernidade (do passado) é ideia de José Gama, ou Zé do Gás, que hoje administra a Confraria do Berimbau, reduto da boemia canavieirense, hoje mesclada entre membros da velha e jovem guarda etílica. O que não é novidade é fusão das duas empresas – o bar e a padaria - que hoje funcionam no mesmo local.

Para proporcionar mais comodidade aos clientes, a padaria – um dos braços econômicos do Berimbau – chega às casas dos clientes com um mix de produtos, que vai dos pães (francês, milho e variedades doces) chegado ao leite, iogurte e outros produtos de laticínios. Se antes esses produtos eram transportados pelos chamados “padeiros” em grandes cestos na cabeça, hoje desfilam pelas ruas da cidade de motocicleta.

Uma motocicleta adaptada com um “baú” fechado que aloja bandejas de pães em prateleiras, conforme saem do forno. Numa caixa isotérmica são transportados os produtos de laticínio, para que não percam a frescura – temperatura baixa, no bom sentido. Em cada uma das ruas, o Galego para num ponto previamente estabelecido, buzina e vai servindo os clientes que vão se aproximando da moto baú. A prestação do serviço não altera o preço do produto ao consumidor, o que é considerada uma vantagem.



GALEOTA DE OURO

O bar O Berimbau foi criado por Neném de Argemiro e posteriormente foi transformado na pomposa Confraria do Berimbau, quando passou a sediar a “Galeota de Ouro”, evento etílico e gastronômico fundado por um grupo de amigos. Funcionando como uma festa de camisas, o serviço era all inclusive, com uma grande variedade de cachaça, cerveja em lata bem gelada e o melhor “churrasquinho de gato” que se tem notícia.

A cada ano, reuniões de avaliação eram realizadas pelos membros da Confraria do Berimbau, e conferidas premiações em troféus pelos absurdos cometidos sob o efeito dos produtos etílicos durante o ano. Apesar de passar a impressão de que seria uma competição para verificar quem beberia mais, a concepção era premiar os praticantes dos excessos. O evento teve sua morte decretada a partir das divergências políticas e econômicas surgidas entre os confrades.

FUTURA EXPANSÃO

Com o sucesso obtido na reabertura, acrescentando a atividade de padaria ao já instalado bar, a nova proposta é ampliar as atividades, desta vez com a implantação de uma pousada. A intenção é ampliar o leque de oferta de serviços aos mesmos clientes do bar, merecedores de um bom descanso após a ingestão de alguns aperitivos. Nada como uma boa cama. Enquanto o serviço não é oferecido, Zé do Gás deixa sempre um colchonete de prontidão para as necessidades mais emergentes.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

TODA AUSÊNCIA É ATREVIDA, MAS O CASTIGO NÃO TARDARÁ


Moqueca de Ovas de peixes
Como é amplamente sabido, o brasileiro aposta que toda a lei sancionada não vai pegar.. E isto está acontecendo até na Confraria do Berimbau, para o espanto dos confrades. Ainda nesta semana, apesar da ampla divulgação da entrada em vigor do Decreto-Lei que regulamenta o oferecimento dos tira-gostos, que obedece a uma lista de espera.
Pois não é que logo no primeiro sábado do instrumento legal em vigor, um dos confrades desafiou o Decreto-Lei 001-2015, chegando, de forma sorrateira e sem-cerimônia, com um prato de carne suína assada, deixando-a em cima do balcão. Imediatamente foi chamados às falas por tamanho desrespeito, denunciado e aguarda julgamento sumário.
Moqueca de Ovos de Galinha caipira
O confrade, cujo nome será mantido em sigilo até o julgamento, não conseguiu tirar o brilho das iguarias previamente anunciadas para o sábado (21): uma travessa de moqueca de ovas de peixe e outra de igual proporção de ovos de galinha, trazidas pelos confrades Hipólito e José Alves, respectivamente. Bom que se anuncie que os dois pratos já se encontravam devidamente inscritos para a assembleia semanal.
Na próxima semana, será a vez da especialidade de Carlos Niella, uma suculenta panelada de rabada bovina, iguaria utilizada pelo confrade para receber os amigos mais chegados.

Com a palavra, o Secretário Plenipotenciário da Confraria do Berimbau, que não costuma tergiversar nos assuntos jurídicos da Entidade, aplicando os rigores da Lei, custe o que custar...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

AGORA É LEI. PRA LEVAR TIRA-GOSTO TEM DE ENTRAR NA FILA


Secretário Plenipotenciário lê o Decreto-Lei
Bem que avisei que a ostentação não é um comportamento adequado para um botequim do nível de o Berimbau, mas como não acreditaram, deu no que deu. De acordo com Decreto-Lei editado, lido ao vivo e publicado no mural pelo Secretário Plenipotenciário do Berimbau, Antônio Amorim Tolentino, o Tolé, quem se candidatar a levar qualquer prato tem que se increver e entrar na fila de espera.
E, ainda por cima, tem que obedecer a uma série de trâmites burocráticos para que o seu prato seja aprovado, para que possa saciar o apetite dos membros presentes às sessões de sábado da Confraria do Berimbau. Nada mais é aleatório e é preciso conhecimento prévio das iguarias gastronômicas, com a finalidade de verificar se está de acordo com os padrões gustativos e conformidade com as questões de saúde pública.
Tolé publica o Decreto-Lei no mural
Pois em atitude solene, no sábado passado (14), em pleno reinado de Momo, com o Berimbau devidamente enfeitado com motivos carnavalescos, eis que o Secretário Plenipotenciário impõe respeito às normas e lê, item por item, os termos do Decreto-Lei.
E de considerando em considerando, é uma obrigação da Confraria do Berimbau zelar pela saúde e bem-estar dos confrades e que a grande ingestão de tira-gostos poderá causar certo desconforto nos delicados aparelhos digestivos, além do consequente crescimento de protuberância abdominal, conhecida vulgarmente como barriga.

Fila de Confrades para levar os tira-gostos





Democraticamente imposto, o “tenho dito” do Secretário Plenipotenciário deu início ao fim do atual quadro de congestionamento de tira-gostos reinante na Confraria do Berimbau. Imediatamente, os confrades interessados fizeram suas inscrições em livro próprio e ainda nesta semana serão informados os deferimentos e indeferimentos.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Medidas urgentes deverão ser tomadas para evitar congestionamento de tira-gostos

Após a profusão de tira-gostos, um panelação de "galada"
A Confraria do Berimbau atravessa um dos seus piores problemas, nunca antes verificados em toda sua existência: o congestionamento de comidas e tira-gostos. O secretário Plenipotenciário da Confraria, Antônio Amorim Tolentino (Tolé), já estuda a implantação de medida corretivas e moralizadoras com a finalidade de corrigir esse grave problema.
O assunto já está sendo tratado como uma bagunça generalizada, embora a organização nunca tenha sido o “forte” dos confrades. O tema está sendo considerado um desvio de finalidade e merece um estudo aprofundado, no sentido de evitar a continuidade do costume. O excesso de tira-gostos já está sendo visto como de saúde pública, com risco de aumento no volume da silhueta abdominal dos confrades.
Após as reclamações, o Secretário Plenipotenciário prometeu um estudo profundo sobre o problema e tomar as medidas cabíveis para solucionar tal aberração. Na reunião deste sábado (14), estão sendo esperadas atitudes moralizadores com o objetivo de corrigir os desvios de conduta na vetusta entidade.

domingo, 11 de janeiro de 2015

CONFIRMADO: MAL-ASSADO REINOU ABSOLUTO NA CONFRARIA DO BERIMBAU

De volta uma das tradições do primeiro sábado do mês, o mal-assado de Zé do Gás ornamentou balcão, mesas e estômagos. É certo que este mês chegou com um certo atraso, mas promete retornar no dia 7 de fevereiro próximo, com tudo que tem direito.
Tolé faz as honras da casa, cortando o mal-assado

sábado, 10 de janeiro de 2015

SÁBADO SOLENE NA CONFRARIA DO BERIMBAU

Com uma simples canetada a Confraria do Berimbau transferiu o mal-assado do primeiro sábado do mês para hoje, o segundo. A mudança surpreendeu, inclusive, o secretário-geral, Antônio Tolentino (Tolé), que compareceu na data e horário de praxe para a lavração da ata e o colhimento das assinaturas. Ao que tudo indica, neste sábado os confrades não serão surpreendidos com mudanças de última hora.

No sábado (3) foi dia de fartura no Berimbau. Linguiça à Confraria do Alto Beco do Fuxico, muquecas de arraia e meca pra comer. Pra beber a fartura era ainda maior. Uma coisa que eu não sabia era que linguiça com guaraná combinavam, o que foi provado e comprovado por Antônio Amorim Tolentino (Tolé).

Muqueca de Meca salgada trazida por Tedesco e de Arraia, por Pedro Inácio.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

ESCOLHA DOS HOMENAGEADOS DO TROFÉU GALEOTA DE OURO PRECEDIA DE RITUAL LITÚRGICO

Walmir Rosário
Muitos são chamados, mas poucos escolhidos. Essa pequena passagem da Bíblia (Mateus 22:14) mostra claramente a forma da escolha da seleta lista de homenageados com o Troféu Galeota de Ouro. Ao contrário do que se pensava – e ainda pensam alguns desavisados –, que os distinguidos com a honraria pelos feitos etílicos se dava pela contumácia ou o reles ato de beber e se embriagar diariamente, sem pompas ostentação ou esplendor de dar inveja aos mais acatados abstêmios.
A escolha precedia de um amplo ritual litúrgico, com a finalidade de comprovar e mensurar o trabalho realizado pacientemente pelos olheiros da “Comissão de Observação da Confraria do Berimbau”. A cada ação desastrada cometida pelo indigitado “cachacista” chegada ao conhecimento e ao domínio público, o candidato recebia uma simples advertência, um cartão amarelo e, a depender do escandalizante ato, um cartão vermelho. Dois cartões vermelhos, então se tornava um candidato difícil de ser batido.
Era nesse local que os Confrades escolhiam seus homenageados
Mas como não há nada tão ruim que não possa piorar, a brilhante e implacável Lei de Murphy descia sobre as “cabeças coroadas” como se fossem a verdadeira “espada de Dâmocles”. Mas, pela seriedade e responsabilidade que caracterizava a isenção da escolha dos ganhadores do troféu, a decisão tinha que ser colegiada, após a análise de pesos e medidas estabelecidos.
Tal e qual praticavam as instituições medievais, os membros da Confraria do Berimbau – vestidos a caráter – se reuniam numa salinha escura nos fundos do Tabu, iluminada apenas por uma lamparina a vela, conferindo a escrita de cada verso do cartão, analisando o grau de gravidade. Dois cartões amarelos equivaliam a um vermelho...dois vermelhos então...Mas tinham aqueles que bastava uma falta gravíssima, como a de perder o endereço de casa, trocando a estrada do mar para a da montanha...era bingo.
Algumas faltas chegavam a ser consideradas impublicáveis, como as cometidas na própria casa e que chegam ao domínio público após alguma indiscrição com um vizinho ou parente mais chegado. Alguns outros, pela teimosia dos acometimentos, tiveram que ser considerados “hors concours” pela falta de concorrentes à altura das faltas cometidas e anotadas pelos olheiros do Posto de Observação.
E assim eram escolhidos os distintos honrados com o Troféu Galeota de Ouro, sem privilégios, tráfico de influência ou compra de galões e patentes. Igual ao que preceitua o conceituado Jogo de Bicho: vale o escrito.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

NO BERIMBAU É ASSIM ...FALTOU, É CITADO POR EDITAL

A direção de o Novo Berimbau, boteco que agora reabre em Canavieiras, enfrenta um sério problema para convidar, ou convocar, como expressa o convite, dos frequentadores, especialmente os membros da Confraria do Berimbau.
Um dos problemas já foi resolvido: "os que passaram desta para melhor", como diz o ditado, serão convocados pelo próprio Neném de Argemiro. Já os que ainda teimam em continuar nesta terra de meu Deus, mas residindo em outras plagas, é não tiveram a convocação resolvida.
Opções várias foram apresentadas, como os telefonemas e o envio de correspondência pelos Correiros, com as características antigas e eventuais. Esta, entretanto, não foi bem aceita, pois os carteiros destas cidades na qual residem os expatriados podem não conhecê-los como no costume anterior.
Mas, do alto de sua sabedoria, o Decano dos Confrades e Decano dos Secretários Municipais, Antônio Amorim Tolentino, consultou o seu Vade Mecum e, com ar eminentemente professoral, determinou: "Ora, está aqui no artigo 3º da Lei de Introdução do Código Civil: "Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece".
E do alto de sua sabedoria, arrematou: "Como se diz no popular, a ninguém é dado o direito de desconhecer a lei, portanto, citem-se os residentes em local incerto e não sabido por edital".
Nada mais disse e não lhe foi perguntado. Apenas cumpriu-se.