sábado, 27 de agosto de 2016
NIELA COMEMORA ANIVERSÁRIO EM O BERIMBAU; SÓ ALBERTO FISCAL NÃO GOSTOU DA RABADA
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| Panelão de rabada do aniversário de Niela |
O niver, planejado com dois meses de antecedência, consumiu dedicação de Zé do Gás para preparar toda a decoração do ambiente e a confecção do bolo, para as comemorações. Por isso, nada foi esquecido e o ágape ocorreu em pleno clima de felicidade, para o gáudio e satisfação dos confrades.
Conforme prometido, o prato de resistência foi a rabada com legumes, que chegou com um pequeno atraso, já que o aniversariante não aceitou o apoio de Nélson Barbosa na logística do transporte da rabada até O Berimbau. Fez bem, pois a segurança de uma iguaria desse naipe não pode ser descuidada. A única ausência notada foi a de Alberto Fiscal, qu
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| Niela corta o bolo com a vela a meio pau |
Agraciado pela Confraria de O Berimbau com um bolo com uma velinha a meio pau, Niela cumpriu todo o ritual a ser seguindo pelos aniversariantes, ao cuspir no bolo enquanto tentava apagar a velinha.
Ao final, com todas as gafes cometidas e aqui não reveladas, fica apenas o registro de que o bolo foi decorado com um guaiamum, coisas que somente os confeiteiros, como Zé do Gás pode revelar.
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| Bolo decorado com guaiamum |
E todos continuaram felizes para sempre.
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| Tedesco "amuou" na panela de rabada |
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Raimundo Antônio Tedesco,
Zé do Gás
sexta-feira, 29 de julho de 2016
Ágape de sustança na reinauguração d' O Berimbau
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| Buchada de bode, prato de sustança |
E é justamente naquele local que está localizada as novas instalações da modalidade etílica d'O Berimbau, que vem perdendo espaço e localização para a padaria do mesmo nome. Celeumas à parte, o espaço está construído, pronto e acabado, portanto, não será com choro nem vela que irá resolver o problema. a mudança foi decidida democraticamente por Zé do Gás, do alto do seu coturno de diretor-presidente da Confraria.
Dentre as lamentações dos confrades, estão a importância dada a uma padaria, coisa de somenos importância, onde os clientes não fazem "piseiro" e apenas aparecem para comprar pão e outros assessórios, e até a "casa da lenha", depósito despropositado em local privilegiado. Mas está lá e não adianta chorar o leite derramado.
Já outros confrades até gostaram do novo local, a que acreditam apropriado para as reuniões sabática (por ser periódica, aos sábados), com o toque do sino à chegada dos confrades. Para esses, não é preciso estar exposto nas vitrines para praticar o esporte etílico e gastronômico entremeado de bate-papo, pois cachaceiro que se preza não faz fuxico ou fofoca.
E neste sábado, nada mais justo para justificar (isso mesmo) o tresloucado gesto de Zé do Gás do que ser servido com o que existe de mais gostoso da cozinha nordestina. Pelo que soube, buchada de bode, rabada, sarapatel e sobe e desce serão as especialidades da casa servidas por ocasião de tão nobre recepção aos confrades d'O Berimbau.
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Folhas de jamaica pelo serviço expresso
Walmir Rosário*
Dias desses, por ocasião de uma das
reuniões de sábado da Confraria do Berimbau, falei sobre a
dificuldade de bebermos, em Canavieiras, uma boa cachaça de folha,
da música “Tarde em Itapuã”, do poeta Vinícius de Moraes, que
troquei para “cachaça de folha”. Nunca achamos as folhas boas
que queremos ou uma cachaça destilada que se preze pela qualidade.
As duas juntas e engarrafadas que
temos notícia não merece tanta confiança e credibilidade. Nada
contra as folhagens (que geralmente se prestam para a mistura), mas o
problema reside na qualidade da cachaça, nem sempre muito confiável
por essas paragens. E a cachaça de folha tem que ser um “casamento
perfeito”: boas folhas, ótima destilada.
Na minha reserva especial de cachaça
sempre há espaço para as destiladas – descansadas ou não – de
boa procedência. Sempre sentenciei como crime inafiançável
misturar uma boa destilada com elementos estranhos, como o limão,
que, comprovadamente, tem causado males diversos aos intestinos e
estômagos mais delicados.
Mas sempre abri exceção para a
mistura com as folhagens diversas, desde que não sejam amargas, a
exemplo de “pau-de-rato”, “Milome”, “carqueja”, “boldo”,
dentre outras. Não coloco o “jiló” no mesmo balaio, pois as
histórias sobre essa mistura já causou alguns dissabores na
masculinidade de alguns desavisados no bairro da Conceição, em
Itabuna.
Já outras folhagens, do tipo mais
amigável ao paladar, são sempre bem-vindas. A começar pela
“catuaba”, “angico”, “jatobá”, cravo, canela,
“angélica”, “alecrim”, “figo”, “gengibre” e até
mesmo tempero pra peixe, uma mistura rica em alho, cebola em cabeça
e verde, tomate, hortelã, pimentão e por aí a fora.
Em Itabuna, essas preciosidades
sempre foram encontradas nas boas casas do ramo, aquelas não não
economizam dois reais na hora de adquirir uma boa destilada para
servir à seleta clientela. Exemplos que merecem ser lembrados são
as “farmácias” de Dortas, na esquina do beco do Fuxico com o
Calçadão da Ruy Barbosa, de Batutinha, no Médio Beco do Fuxico, e
até de Ithiel Xavier, no início do bar no Alto Beco do Fuxico e que
serviu de inspiração para
a Confraria do mesmo nome.
Ainda no Alto Beco, na esquina da
travessa Ithiel Xavier com a rua Duque de Caxias, estava implantada a
mercearia de Alcides Rodrigues Roma, ponto de apoio da boemia
frequentadora daquelas paragens. Ao lado dos sacos de milho e feijão,
um cavalete com carne do sol e jabá (ambas com dois vistosos pelos),
preferida para o tira-gosto entre uma cachacinha e outra.
Aliás, é bom que se diga que a
especialidade da casa, era a “angélica”, considerada pelos
consumidores a bebida sublime, a
preferida dos
clientes. E nada melhor do que
uma jabá assada como prato de resistência. E não era preciso
nenhum chef em culinária para prepará-la ao gostos dos fregueses.
Bastava apenas envolvê-la num papel
pardo de embrulho, ensopar o pacote com bastante álcool 90 graus,
colocá-lo no prato da balança e riscar o fósforo. Após o fogo
apagado, desembrulhar a carne, bater com a faca na carne para tirar o
excesso de sal e cortá-la em pequenas fatias. Pronto, com uma
iguaria dessa qualidade não ficava ninguém com fome.
Num desses domingos em que todos se
preparavam para ir ao futebol no Itabunão – era dia de Itabuna e
Vasco da Gama –, eis que aparece uma visita ilustre na mercearia de
Alcides Rodrigues Roma, tendo como anfitrião Paulo Fernando Nunes da
Cruz, o Polenga. Era o então presidente vascaíno Eurico Miranda,
que diante da fama da angélica e da jabá, desprezou o almoço do
Pálace para experimentar o inusitado prato.
Mas preciso retomar o fio da meada,
para não embaralhar a cabeça dos leitores com tantas informações,
às vezes desencontradas e que podem levar ao coma alcoólico. Ante
ao meu questionamento, de pronto, um amigo resolveu atender, em
parte, minha solicitação, dizendo conhecer um pé de pimenta
jamaica inexplorado, mantido por ele longe dos olhares de
cachaceiros.
O receio de Antônio Alves (Tonhão,
ou Tonhe Elefoa), técnico agrícola aposentado da Ceplac, é que a
árvore venha a ser alvo dos consumidores de cachaça com folha e
venham a desfolhá-la. Garantiu que supriria as minhas necessidades,
colhendo algumas folhas, que seriam entregues em data próxima.
Nem bem passou uma semana e ao chegar
em casa e vasculhar a caixa de correspondência para conferir a
entrega dos Correios, me deparo com o compartimento cheio de folhas.
Fiquei pasmo e pensei que seria um novo serviço dos Correios para
tapar o rombo nas suas contas, mas abandonei a ideia por achar
estapafúrdia.
Em seguida, meu pensamento voltou-se
para as crianças vizinhas que brincam na rua tocando as campainhas e
se escondendo que tinham feito mais uma travessura. Ao chegar mais
perto para retirar as folhas, reconheci o cheiro das folhas de
pimenta jamaica e fui me lembrar da promessa feita por Tonhão na
Confraria do Berimbau.
Olhei para as folhas e já vislumbrei
elas dentro de um litro misturadas com uma boa destilada – ainda
não repousada – trazida do Bar do Jacaré, em Itajuípe, pelo
amigo Cláudio da Luz. Um casamento perfeito, digno de saboreá-las
ouvindo a música Tarde em Itapuã, tendo o cuidado de trocar as
palavras cachaça de rolha por cachaça de folha.
* Apreciador das boas bebidas
segunda-feira, 9 de maio de 2016
VERSOS DE ANTANHO SOBRE O VINHO
Tu, que não bebes
vinho,
não maldigas os
que bebem.
Sê cortes,
sê indulgente,
sê humano!
Fôra eu senhor do
Destino,
dono do passado e
do futuro,
ter-me-ia então
arrependido
e confessado a
Allah
os meus pecados.
Mostras-te
orgulhoso,
envaideces-te de
não beber.
Insolente e
hipócrita!
Fingiste relegar
ao esquecimento
centenas de atos
perversos,
e encobres as
afrontas ao pudor
que diariamente
praticas!
*Osmar Khaiame
(séc. XI)
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sábado, 12 de dezembro de 2015
TRABALHOS PARA 1ª LAVAGEM DO BECO DO BERIMBAU COMEÇARAM CEDO
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| Antônio Elefôa abre os trabalhos |
O primeiro a abrir os trabalhos foi o confrade Antônio Elefôa, que
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| Um mocofato de respeito |
Logo mais os trabalhos serão oficialmente abertos...
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| Os "cederos" partiram pra "briga" |
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
CONFRADES PROMOVEM NESTE SÁBADO A 1 ª LAVAGEM DO BECO D'O BERIMBAU
Se perpetuar com um evento permanente do calendário
turístico-etílico de Canavieiras é a proposta da Confraria D'O
Berimbau, que promove neste sábado (12), a partir da 9h51min, a 1ª
Lavagem do Beco D'O Berimbau. O acontecimento vai reunir da mais fina
flor da boemia de Canavieiras e região, numa festa de camisa para
seletos participantes.
Projetado para proporcionar um dia inteiro de alegria e descontração,
a 1ª Lavagem do Beco de O Berimbau oferece como atrações música
ao vivo, balcão com bebidas quentes (cachaças pura e com folhas e
raízes, batidas e outras especialidades), cerveja bem gelada e um
nutritivo churrasquinho de gato.
Segundo um dos membros da Confraria de O Berimbau e organizador do
evento, Zé do Gás, a Lavagem será um dia de completo lazer para o
boêmio e seus convidados (inclusive a família) se confraternizarem
à beira do balcão do botequim mais conceituado de Canavieiras. Por
ser uma festa de camisa, o evento conta com toda a segurança livre
de penetras e outros convidados indesejáveis.
A 1ª Lavagem do Beco de O Berimbau terá como palco o famoso Beco do
Berimbau, também apelidada de rua Dr. João de Sá Rodrigues, no
conceituadíssimo trecho compreendido entre a esquina de Tião da
Kombi até a rua Dr. José Marcelino. O local sempre foi um endereço
bastante conhecido por sediar o famoso botequim de Neném de
Argemiro, posteriormente transformado na Confraria de O Berimbau.
A Confraria D'O Berimbau é um estabelecimento sui generis que opera
no ramo etílico com leve ampliação para eventual alimentação do
seus Membros. De acordo com o Estatuto aprovado e em vigor, a
Confraria D'O Berimbau funciona aos sábados, a partir das 9h51min
até o último cliente.
A Confraria D'O Berimbau é o único estabelecimento etílico que
mantém uma distinta clientela, selecionada entre os boêmios
canavieirense e eventuais visitantes, de forma integrada. Entre os
“Confrades” – a distinta freguesia – destacam-se
intelectuais, profissionais liberais, funcionários públicos e
privados de todas as classes econômicas, representando uma clientela
heterogênea.
E é justamente essa plêiade boêmia a responsável pelo sucesso da
Confraria, uma entidade etílico-cultural-recreativa, mantida durante
muitos anos pelo boêmio e trompetista Neném de Argemiro (que também
atendia pelo nome de Eliezer Rodrigues), o seu fundador, até o seu
falecimento. Agora, com a reabertura D'O Berimbau por José Gama (Zé
do Gás), a entidade ganha novo fôlego e propõe o seu resgate
histórico e cultural.
A 1ª Lavagem do Beco D'O Berimbau é um evento que já “nasce”
com a certeza do mais absoluto sucesso, haja vista a experiência dos
Membros da Confraria D'O Berimbau em eventos afins. Isto porque a
Confraria D'O Berimbau possui um DNA festeiro, produzindo eventos de
sucesso garantido, a exemplo do Troféu Galeota de Ouro, nascido e
criado em O Berimbau e que permaneceu por anos seguidos no Calendário
Turistico-Etílico-Cultural de Canavieiras.
quarta-feira, 30 de setembro de 2015
Crime ecológico abala a Confraria do Berimbau – culpados serão punidos, diz Secretário Plenipotenciário
Walmir Rosário
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| O local ensolarado pela falta do pé de abiu chama a atenção |
Por
falta do que fazer não era, mesmo assim pouquíssimos membros da
Confraria do Berimbau percebiam o pé de Abiu (Pouteria
caimito),
frondosa árvore frutífera da família Sapotaceae, ao lado das mesas
do Berimbau. No mínimo, acreditavam que plantas, com suas raízes e
folhas teriam importância e serventia era do lado de dentro do
balcão, mais exatamente no interior daqueles litros e garrafas
conhecidas como “folhas podres”.
E
olha que a sombra do galhardo abieiro refrescava – e muito – os
sábados ensolarados em que costumeiramente se consumiam – e
consomem – cervejas, cachaças e o deliciosos tira-gostos. Por
falar em comida, no Berimbau é Lei: bebeu tem que comer. E a
organização interna prescreve que no primeiro sábado do mês, o
cardápio é o tradicional mal-assado, já nos seguintes, fica a
cargo dos confrades que submetem à diretoria o prato que deverão
levar.
Mas,
e o crime? Qual foi? Quem cometeu? Pois é, o fiel e prestimoso pé
de abiu teve um fim trágico, sem direito a julgamento. Foi condenado
e executado sem defesa...quer dizer, até teve, mas sem fôlego.
Pior, ainda, sem ser velado. Certeiros golpes de machado e virou
lenha, deve ter ardido num forno de uma dessas padarias ou pizzarias
da cidade.
Pior,
foi derrubado por engano. Jura, Zé do Gás, que jamais cometeria uma
atrocidade desta com o abieiro plantado com todo cuidado e carinho
pelo estimado sogro Neném de Argemiro. Além do mais, foi
transformado em árvore de estimação pela sogra Terezinha Sarmento,
transmitida em testamento para a esposa Vera.
“Deus
me livre de uma blasfêmia dessas”, jura Zé do Gás, imputando
toda a culpa ao contratado para derrubar um toco que restava no
quintal, sobra de uma árvore, esta, sim sem serventia e que ainda
atrapalhava a expansão das atividades da Confraria do Berimbau. Até
mesmo o padeiro – que nada tinha a ver com o feito – não
acreditou quando percebeu as primeiras machadadas certeiras o
inocente abieiro
Mas
nem todo o valor sentimental da família Sarmento e dos membros da
Confraria do Berimbau foram suficientes para conter o tresloucado
gesto do insensível machadeiro. Foram cerca de 10 cortes de machado
em cada lado e o abieiro, considerado um membro da família veio
abaixo. Sem dó nem compaixão.
Mas
o pior ainda estava por vir. Bastou dona Terezinha vislumbrar a
grande claridade deixada pela ausência do abieiro para se dar conta
de crime cometido. Imediatamente, convocou os membros da família
para cobrar a autoria do crime, pois, afinal, o exemplo começa em
casa. Enquanto a filha Vera negava peremptoriamente qualquer
participação do hediondo crime ambiental, Zé do Gás se desculpava
sob o argumento de que se encontrava nos “braços de Morfeu”,
como se fosse possível se encontrar em pleno sono num momento
delicado dessa magnitude.
Pela
leis do Berimbau, o crime ambiental será levado à apreciação do
Secretário Plenipotenciário, que deverá abrir uma investigação
para apurar as responsabilidades. Uma das linhas de investigação
apontou que o abieiro teria sido abatido para dar lugar à construção
de um mictório para os confrades e uma churrasqueira, conforme
projeto elaborado pelo engenheiro de Minas, Gilbertão.
De
antemão, ficou convocado o engenheiro agrônomo José Alves,
especialista em paus e madeiras, que deverá prestar compromisso e
restabelecer a vegetação original.
“Justiça
será feita, doa em quem doer”, falou do alto de sua autoridade o
Secretário Plenipotenciário de O Berimbau.
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quarta-feira, 1 de julho de 2015
“As Muquiranas” estão de volta e reestreiam na lavagem da Igreja de São Boaventura
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| E “As Muquiranas” estão de volta |
Homens travestidos de mulher, com
toda a esculhambação permitida. Ainda não será desta vez que as
“meninas” do Bloco Carnavalesco “As Muquiranas” reestrearão
num clima de apoteose, em respeito ao Santo Padroeiro de Canavieiras.
Mas prometem voltar às ruas de Canavieiras durante o cortejo e
lavagem das escadarias da Festa de São Boaventura. A concentração
está marcada para as 8 horas de domingo, dia 12 de julho, na praça
Maçônica, onde tem início o cortejo, que desfila pela Rua 13 e
final na Igreja Matriz de São Boaventura.
Durante a lavagem da escadaria da Igreja a apresentação será feita
com uniforme condizente com a ocasião: uma camisa de malha com a
logomarca do bloco e a figura de São Boaventura. Cada camisa tem o
custo de R15,00 (quinze reais) e poderá ser obtida com os dirigentes
da agremiação ou na Confraria do Berimbau. Além dos associados de
“As Muquiranas”, no evento do cortejo e lavagem serão aceitas
participações de outras pessoas, que poderão ser apresentadas
pelos seus membros.
Na praça São Boaventura, “As Muquiranas” implantarão uma
barraca com comidas apropriadas para a incursão etílicas, como
sarapatel, mocofato, dentre outras especialidades capazes e
apropriadas para dar sustança aos participantes da festa, bem como
bebidas variadas. Os recursos obtidos na barraca serão transformados
em fundo de investimento e custeio para os foliões durante o
Carnaval de 2016.
Contribuições – Desde
sua refundação sob as bençãos da Confraria do Berimbau, o Bloco
“As Muquiranas” já conta com quase uma centena de sócios
contribuintes, que comparecem à tesouraria através de um carnê de
pagamento mensal. A previsão da diretoria é a realização de um
grande Carnaval, relembrando os tradicionais desfiles de anos
anteriores, quando atraiam foliões de outras cidades circunvizinhas.
Conforme dados e fotos históricos,
o bloco “As Muquiranas” contavam em seus desfiles com personagens
com Juca Seara, Biriri, Geraldo Carneiro, José Leal, Almir Melo,
lourival e Alício Monteiro, Orlando Maia, Tedesco, Bira Magnavita,
Negão, Chico Soussa, Edmundo Melo, Dr. Sócrates, José Garcia,
dentre outros. Para relembrar os antigos carnavais e seus membros, na
barraca da praça São Boaventura serão exibidas fotos das festas de
escolha da Rainha do Bloco e os memoráveis desfiles carnavalescos.
Segundo uma pré-programação, na sexta-feira do Carnaval de 2016
será realizada uma monumental festa para a tradicional escolha da
Rainha de “As Muquiranas”. No domingo e na terça-feira de
Carnaval “As Muquiranas” realizam o tradicional desfile pela Rua
13, devidamente fantasiados. Os sócios contarão com diversos
serviços inerentes à folia como um carro de apoio servindo bebida
aos participantes.
A Diretoria de “As Muquiranas”
é composta por Hipólito Lucena - Presidente, Vice-presidente - João
de Cezário, Secretário Daeltto Santos Brito, Tesoureiros - Nelson
Barbosa, Nei Pinto e Trajano Júnior, Diretor de Eventos - Abel
Lisboa, Diretor Social – Edmundo Melo, Diretor de Marketing –
Walmir Rosário, Diretoria de Assuntos Especiais – Antônio
Tolentino e José Gama, Conselho Fiscal - Severo, José Bandeira e
Tolentino da Piaçava.
Contatos: 73-9933-0330, 9967-6733 e 9975-1044.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Expansão do Berimbau – de bar a padaria e quem sabe...
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| A motocicleta com o baú é mais comodidade ao cliente |
Em
Canavieiras, um serviço foi resgatado de tempos passados e é a
padaria quem vai à casa do cliente. A inclusão dessa modernidade
(do passado) é ideia de José Gama, ou Zé do Gás, que hoje
administra a Confraria do Berimbau, reduto da boemia canavieirense,
hoje mesclada entre membros da velha e jovem guarda etílica. O que
não é novidade é fusão das duas empresas – o bar e a padaria -
que hoje funcionam no mesmo local.
Para
proporcionar mais comodidade aos clientes, a padaria – um dos
braços econômicos do Berimbau – chega às casas dos clientes com
um mix de produtos, que vai dos pães (francês, milho e variedades
doces) chegado ao leite, iogurte e outros produtos de laticínios. Se
antes esses produtos eram transportados pelos chamados “padeiros”
em grandes cestos na cabeça, hoje desfilam pelas ruas da cidade de
motocicleta.
Uma
motocicleta adaptada com um “baú” fechado que aloja bandejas de
pães em prateleiras, conforme saem do forno. Numa caixa isotérmica
são transportados os produtos de laticínio, para que não percam a
frescura – temperatura baixa, no bom sentido. Em cada uma das ruas,
o Galego para num ponto previamente estabelecido, buzina e vai
servindo os clientes que vão se aproximando da moto baú. A
prestação do serviço não altera o preço do produto ao
consumidor, o que é considerada uma vantagem.
GALEOTA
DE OURO
O bar O
Berimbau foi criado por Neném de Argemiro e posteriormente foi
transformado na pomposa Confraria do Berimbau, quando passou a sediar
a “Galeota de Ouro”, evento etílico e gastronômico fundado por
um grupo de amigos. Funcionando como uma festa de camisas, o serviço
era all inclusive, com uma grande variedade de cachaça, cerveja em
lata bem gelada e o melhor “churrasquinho de gato” que se tem
notícia.
A cada
ano, reuniões de avaliação eram realizadas pelos membros da
Confraria do Berimbau, e conferidas premiações em troféus pelos
absurdos cometidos sob o efeito dos produtos etílicos durante o ano.
Apesar de passar a impressão de que seria uma competição para
verificar quem beberia mais, a concepção era premiar os praticantes
dos excessos. O evento teve sua morte decretada a partir das
divergências políticas e econômicas surgidas entre os confrades.
FUTURA
EXPANSÃO
Com o
sucesso obtido na reabertura, acrescentando a atividade de padaria ao
já instalado bar, a nova proposta é ampliar as atividades, desta
vez com a implantação de uma pousada. A intenção é ampliar o
leque de oferta de serviços aos mesmos clientes do bar, merecedores
de um bom descanso após a ingestão de alguns aperitivos. Nada como
uma boa cama. Enquanto o serviço não é oferecido, Zé do Gás
deixa sempre um colchonete de prontidão para as necessidades mais
emergentes.
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015
CANAVIEIRAS DESBANCA SÃO PAULO E PROVA QUE O RODÍZIO COMEÇOU AQUI
Por Walmir Rosário
Parece que os historiadores têm memória curta! Impossível não se
lembrarem de que rodízio de serviços prestados pelo governo e suas
concessionários são coisa deste mundo moderno. Aí que vocês se enganam. Basta
botar a mão na cabeça e puxar pela memória que vão se dar conta que não é São
Paulo a pioneira no sistema de rodízio, nem mesmo a circulação de veículos,
inaugurado anos atrás, nem o de água, cantado e reclamado em verso e prosa até
os dias de hoje.
Já deveria estar inscrita no Guines Book, o livro de recordes, caso algum
canavieirense de memoria e boa vontade assim quisesse. Bastaria um simples
telefonema, um simplório e-mail para os gringos conferirem o feito e desbancar
São Paulo. Pois fiquem sabendo quem interessar possa que esse feito ainda vai
ser motivo de orgulho, com livros de teses escritos para comprovar essa
orgulhosa marca. Para que se restabeleça a verdade, São Paulo pode, no máximo,
alcançar o segundo lugar.
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| Esse motor ainda é pequeno em comparação ao Locomóvel |
E era a “Locomóvel”, nome de batismo popular dado à possante máquina que
aportou por aqui à bordo de um vapor da Bahiana e transportada à rua Ruy
Barbosa, local de sede da briosa “Luz e Força”, ou para os menos esclarecidos o
motor de luz. Quem não lembra da festa iniciada com discursos e foguetórios
para comemorar a chegada de um potente motor de luz! Era a glória, para os
políticos de então, a começar pelo prefeito Edson Castro, autor do pedido.
E chamava a atenção o tamanho da Locomóvel, que para os mais viajados parecia
um motor de navio transatlântico, embora para outros se tratasse de uma cabeça
de locomotiva vinda do exterior para gerar energia elétrica de qualidade em
Canavieiras. Nem mesmo essa grandeza toda seria capaz de fornecer a potente
iluminação – se comparada aos candeeiros, fifós, placas e aladins das
residências – em toda a cidade.
Como a potencia foi reconhecida insuficiente, um conhecido eletricista
recomendou ao prefeito que não se avexasse com isso e estabelecesse um rodízio
no fornecimento da moderna energia elétrica disponível das 18 às 23 horas. E a
energia se despedia solenemente, com os devidos avisos de antecedência do
desligamento, para dar tempo aos notívagos e os mais afoitos casais de
namorados chegarem a casa ainda no claro.
– Vai ser batata! – disse o eletricista ao prefeito, detalhando o projeto
na ponta da língua:
– Num dia, a gente liga as ruas Ruy Barbosa (onde ficava a Locomóvel),
rua 13 (que ainda não era Octavio Mangabeira), General Pederneiras e dos
Pescadores. No outro será a vez do complexo de praças da Bandeira, 15 de
Novembro, São Boaventura e a avenida J. J. Seabra (hoje ACM). No terceiro dia
seriam contempladas a, Benjamim Constant, Marechal Deodoro e Barão de Cotegipe
–.
E assim foi vivendo a sociedade canavieirense, que marcavam suas festas e
demais eventos sociais para os dias de clarão em sua residência, gozando,
portanto, das modernidades de então. Mas como a teoria de Murphy nos ensina que
não existe nada ruim que não possa piorar, eis que a gloriosa Locomóvel bateu
biela, quebrou pistom, queimou válvulas e chegou ao fim de linha. Eis que o que
era ruim ficou pior.
Eram os tempos do prefeito Osmário Batista, que prometeu substituir a
Locomóvel por um gigantesco motor, equipamento vindo do exterior, não se sabe
ao certo se Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos. Mas vinha com a missão de
iluminar todo o território canavieirense, até a distante Potiraguá, ainda
dentro dos seus domínios. Também não deu certo e o possante motor, logo
apelidado de “elefante branco”, dada a sua pífia serventia.
Foi o caos. Mas eis que as gestões políticas e uma comissão de alto nível
liderada pelo prefeito Edmundo Lopes de Castro fez ver ao governador Lomanto
Júnior que uma cidade do porte e da importância de Canavieiras não podia ficar
às escuras, sob pena dos eleitores não acertarem nem mesmo depositar os votos
nas urnas.
Diante de tão qualificado e irrecusável apelo, eis que no dia 13 de
dezembro de 1963 três conjuntos de moto geradores doados pelo governador
Lomanto Júnior começam a funcionar, justamente no dia consagrado a Santa Luzia.
Com isso, a Locomóvel foi aposentada e hoje, sequer, lembram dela, caiu no mais
absoluto esquecimento.
Entretanto, os três pequenos conjuntos de moto geradores não se
encontravam à altura dos costumes de tradições de Canavieiras. É certo que deu
sua contribuição, aumentando em uma hora o fornecimento de energia elétrica –
das 18 às 24 horas – o era um considerável avanço, mas a vida noturna, a
boemia, já não podia continuar às escuras, o cinema pretendia exibir uma
segunda sessão, o clube social continuar as festas até o raiar do dia e sem
energia nada disso seria possível.
Foi então que no fatídico dia de 23 de agosto de 1973, sob as benções de
Antônio Carlos Magalhães e do prefeito João Perelo, Canavieiras se integra ao
seleto grupo de cidades interligadas ao sistema da Barragem do Funil e quiçá o
moderno sistema de Paulo Afonso. Um dia como esse era especial e merecia uma
comemoração à altura do benefício.
Imediatamente, um grupo de rapazes alegres e chegados a um dia de
folguedos sugerem – ou melhor, já levaram pronto – o ato oficial para decretar
feriado em todo o Município, inclusive no Banco do Brasil. E assim foi feito: O
prefeito João Perelo assinou o decreto e a cachaçada “comeu no centro” até
altas horas do dia seguinte.
Festejou-se muito, para nada! É que o governador Antônio Carlos
Magalhães, o “Toinho Ternura” – que tinha fiat
lux –, não estava presente às comemorações da nova iluminação e marcou uma
nova data, 23 de outubro de 1973, esta oficial, com direito a aplauso de toda a
sociedade. E para isso, um novo feriado foi decretado – também com a ajuda do
grupo Tolé, Tedesco e cia.. – com o competente fechamento dos banco.
Mais uma homérica cachaçada, em que até um professor e ex-pastor – um
homem de Deus, portanto – se juntou à gandaia. Uma festa de arromba, digna do
esquecimento da Locomóvel, máquina usada e abusada para não deixar a cidade às
escuras, mas agora aposentada e enterrada num ferro-velho qualquer desse Brasil
afora.
Tolé até hoje ainda se lembra da maldade que fez com “velho professor” e
da homérica ressaca sofrida. Mas, o que fazer, se até o Dr. Boinha Portela
tinha colocado toda as mercadorias de O Berimbau à disposição dos amigos, com a
recomendação expressa dada a Neném de Argemiro de não cobrar nada de ninguém,
pois a farra seria bancado do seu próprio bolso.
Realmente, foi por uma causa justa, justíssima!
domingo, 22 de fevereiro de 2015
TODA AUSÊNCIA É ATREVIDA, MAS O CASTIGO NÃO TARDARÁ
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| Moqueca de Ovas de peixes |
Pois não é que logo no primeiro sábado do instrumento legal em
vigor, um dos confrades desafiou o Decreto-Lei 001-2015, chegando, de
forma sorrateira e sem-cerimônia, com um prato de carne suína
assada, deixando-a em cima do balcão. Imediatamente foi chamados às
falas por tamanho desrespeito, denunciado e aguarda julgamento
sumário.
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| Moqueca de Ovos de Galinha caipira |
Na próxima semana, será a vez da especialidade de Carlos Niella,
uma suculenta panelada de rabada bovina, iguaria utilizada pelo
confrade para receber os amigos mais chegados.
Com a palavra, o Secretário Plenipotenciário da Confraria do
Berimbau, que não costuma tergiversar nos assuntos jurídicos da
Entidade, aplicando os rigores da Lei, custe o que custar...
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
AGORA É LEI. PRA LEVAR TIRA-GOSTO TEM DE ENTRAR NA FILA
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| Secretário Plenipotenciário lê o Decreto-Lei |
Bem
que avisei que a ostentação não é um comportamento adequado para
um botequim do nível de o Berimbau, mas como não acreditaram, deu
no que deu. De acordo com Decreto-Lei editado, lido ao vivo e
publicado no mural pelo Secretário Plenipotenciário do Berimbau,
Antônio Amorim Tolentino, o Tolé, quem se candidatar a levar
qualquer prato tem que se increver e entrar na fila de espera.
E,
ainda por cima, tem que obedecer a uma série de trâmites
burocráticos para que o seu prato seja aprovado, para que possa
saciar o apetite dos membros presentes às sessões de sábado da
Confraria do Berimbau. Nada mais é aleatório e é preciso
conhecimento prévio das iguarias gastronômicas, com a finalidade de
verificar se está de acordo com os padrões gustativos e
conformidade com as questões de saúde pública.
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| Tolé publica o Decreto-Lei no mural |
Pois
em atitude solene, no sábado passado (14), em pleno reinado de Momo,
com o Berimbau devidamente enfeitado com motivos carnavalescos, eis
que o Secretário Plenipotenciário impõe respeito às normas e lê,
item por item, os termos do Decreto-Lei.
E
de considerando em considerando, é
uma obrigação da Confraria do Berimbau zelar pela saúde e
bem-estar dos confrades e que a grande ingestão de tira-gostos
poderá causar certo desconforto nos delicados aparelhos digestivos,
além do consequente crescimento de protuberância abdominal,
conhecida vulgarmente como barriga.
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| Fila de Confrades para levar os tira-gostos |
Democraticamente
imposto, o “tenho dito” do Secretário Plenipotenciário deu
início ao fim do atual quadro de congestionamento de tira-gostos
reinante na Confraria do Berimbau. Imediatamente, os confrades
interessados fizeram suas inscrições em livro próprio e ainda
nesta semana serão informados os deferimentos e indeferimentos.
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Medidas urgentes deverão ser tomadas para evitar congestionamento de tira-gostos
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| Após a profusão de tira-gostos, um panelação de "galada" |
A
Confraria do Berimbau atravessa um dos seus piores problemas, nunca
antes verificados em toda sua existência: o congestionamento de
comidas e tira-gostos. O secretário Plenipotenciário da Confraria,
Antônio Amorim Tolentino (Tolé), já estuda a implantação de
medida corretivas e moralizadoras com a finalidade de corrigir esse
grave problema.
O
assunto já está sendo tratado como uma bagunça generalizada,
embora a organização nunca tenha sido o “forte” dos confrades.
O tema está sendo considerado um desvio de finalidade e merece um
estudo aprofundado, no sentido de evitar a continuidade do costume. O
excesso de tira-gostos já está sendo visto como de saúde pública,
com risco de aumento no volume da silhueta abdominal dos confrades.
Após
as reclamações, o Secretário Plenipotenciário prometeu um estudo
profundo sobre o problema e tomar as medidas cabíveis para
solucionar tal aberração. Na reunião deste sábado (14), estão
sendo esperadas atitudes moralizadores com o objetivo de corrigir os
desvios de conduta na vetusta entidade.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
ASSIM ERA A CONFRARIA DO BERIMBAU – OU O CONCEITUADO BAR DE NENÉM DE ARGEMIRO
Terra em que filho chora e mãe não ouve, na Confraria do Berimbau
as homenagens feitas em verso pelo poeta Adelmar Santos foi
acompanhada de um pedido, este nunca pago pelo primo Antônio
Tolentino (Tolé). Nem mesmo a sublime dedicatória com fartos
elogios foi suficiente para o cumprimento da missão póstuma. E
dizia assim (ipis literis):
Ao insigne primo, amigo e inteligência rara da nossa mui leal,
heroica e provinciana cidade.
17/4/05
Adelmar Santos
LÁPIDE
Adelmar Santos (*)
Meu epitáfio
(uma sentença esdrúxula)
será escrito com o luzir das estrelas
por um bando de anjos fraudulentos
que profanaram sempre a minha mente
durante todo o meu viver.
Os mistérios azuis do Rio Pardo
(rio dos meus versos amargos)
um rio sem antiguidades
formataram meus sonhos inexpressos
com o grito dos afogados
e o aval de deuses trôpegos
nas noites de orvalhos tépidos.
Por isto, na minha lápide
(construída com efêmera matéria)
despida de eternidade
estarão bem preservados:
os odores dos meus versos
as cinzas dos meus poemas
e o enigma da minha trajetória.
(*) Homenagem pré-postuma aos parceiros da Confraria do Berimbau.
“Suscipe, domine, servum tuum in locum sperandae sibi salvaionia
a misericordia tua. Amen. Libera, domine, anima servi tu ex omnibus
periculis inferni, et de laqueis poenarum, et ex omnibus
tribulationibus. Amem. Libera, domine anima servi tui, sicut
liberasti Henoch et Eliam de communi morte mundi. Amen.”
(Tradução do latim para a "Última Flor do Lácio para os aflitos e desconhecedores da antiga língua)
Recebe, senhor, o teu servo, no lugar onde espere a sua salvação,
pela tua misericórdia. Amém. Livra, senhor, a alma de teu servo de
todos os perigos do inferno e dos laços dos castigos e de todas as
tribulações. Amém. Livra, senhor, a alma de vosso servo, assim
como livraste Enoque e Elias da morte comum do mundo. Amém.
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10 ANOS SEM NENÉM DE ARGEMIRO
Walmir Rosário*
| O trompete na parede; Zé do Gás serve a batida aos clientes |
O seu retrato continua na
parede. O mesmo acontece com o trompete, silencioso. Os amigos
continuam no Berimbau, reaberto por Zé do Gás. Com isso, a
clientela ficou mais perto de sua Terezinha. Até de sua filha Vera.
Mas, há 10 anos que ele
partiu, ficando para sempre na história dos amigos, de Canavieiras,
sua cidade do coração. É sempre assim, não existe outra fórmula
para permanecer para sempre junto à família, aos amigos. A partida
é certa.
Partiu e deixou amigos
tantos, que relembaram e comemoraram os 10 anos de sua partida para a
eternidade. E lugar melhor para relembrar de Neném é o Berimbau,
onde mantave sua trincheira por anos a fio.
Entre uma conversa e
outra, um brinde a um feito qualquer – mesmo que não seja coisa
séria... melhor, ainda! – com o tilintar de copos. É o mais
vívido sinal de que reina a alegria no ambiente. Afinal, o Berimbau
não é lugar pra coisa séria – a não ser a amizade.
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| Neném, com seu trompete, ao lado de Juninho e Luiz Madeira |
Uma cachaça, uma
cerveja, por favor! Vamos brindar a alegria. Alegria, sim, pois onde
estiver, Neném está nos acompanhando de perto, tomando conta do
Berimbau, não o físico, hoje a cargo de Zé do Gás, mas o
espiritual, aquele que contagia, que congrega, que ajudar a viver
melhor em sociedade.
Traz aí o mal-assado!
Não tem? Como? Nem tudo é perfeito, mas foi uma simples falha do
secretário que não lavrou a ata e cuidou das programações
festivas. Que não torne a outra, pois o Berimbau é coisa séria!
*Frequentador semanal
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terça-feira, 20 de janeiro de 2015
CABEÇA DE ROBALO – O MANJAR DOS DEUSES
A iguaria, de origem canavieirense, também é desejada por presidentes da República, governadores de Estado, reis e até por “pobres mortais”
Por Walmir Rosário
Nas histórias contadas pelo historiador Antônio Tolentino (Tolé), era muito comum eles levarem os colegas do Banco do Brasil para comer a novidade e eles comerem tudo e ainda perguntarem “Quando é que vem essa cabeça de robalo, pois já comemos toda a entrada?”. Para eles isso era motivo de constantes brincadeiras e que ganhava o mundo.
Por Walmir Rosário
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Cabeça de Robalo elaborada pelo Restaurante Alegria de Viver,
o
prato tradicional da gastronomia de Canavieiras
|
Os deuses gostam de dendê, tanto isso é verdade que um dos pratos mais desejados da riquíssima gastronomia canavieirense é a “cabeça de robalo”. Disto não se tem qualquer dúvida. A incerteza de quem ainda não foi apresentado a esse manjar dos deuses é apenas em relação à matéria-prima, pois os pobres mortais que ainda não tiveram o prazer de degustá-lo não concebem, à primeira vista – ou audição – de como os deuses poderiam apreciar uma parte do peixe cheia de ossos e espinhas.
À primeira vista da iguaria, desfaz-se a incerteza com a imagem, saliva-se a boca, aguça-se o paladar, despertando o primeiro dos sete pecados capitais: a gula. Pessoas de gosto refinado e alto conhecimento gastronômico contam que é impossível de controlar os instintos. Chegam ao ponto de afirmar o ato de comer cabeça de robalo, está longe ser ser um pecado capital, e é, sim, uma virtude, pondo por terra a teoria desenvolvida pelo Papa Gregório Magno no século VI.
E têm razão os nobres defensores desta tese. Pra início de conversa, a cabeça de robalo é um prato exclusivo da gastronomia canavieirense, onde os manguezais são considerados os maiores e mais ricos do Brasil, dada a sua diversidade. Não é por acaso que o caranguejo – Ucides cordato – de Canavieiras é tido e havido como o mais gostoso crustáceo de toda a costa brasileira.
E as virtudes gastronômicas da cabeça de robalo ultrapassaram as fronteiras de Canavieiras e Costa do Cacau, chegando a Salvador, Brasília, outros estados e até países. Passou pelas cozinhas e chegou aos salões de banquetes de palácios republicanos e conquistou – definitivamente – a realeza. Por dois anos seguidos o Rei e a Rainha da Suécia, Carlos XVI Gustavo e Sílvia vieram desfrutar do verão de Canavieiras, onde o Rei praticou a pesca do marlim e o casal se deliciou de algumas vezes com a iguaria.
Hoje deitada em berço esplêndido, a cabeça de robalo nasceu em casa tosca, como relata Edelzuita Maria Santana, que aprendeu a preparar esse prato com sua mãe. Aos poucos, a cabeça de robalo deixava de ser apenas um prato inusitado para ganhar status de prazer culinário. Do modesto bar e restaurante “Fundo de Quintal”, ganhou o mundo.
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| Dona Edelzuíta foi a criadora do prato mais famoso de Canavieiras |
O Raimundo Antônio Tedesco, conta em suas reminiscências, que quando a cabeça de robalo se tornou amplamente conhecida, tentaram até mudar o seu nome para top less, numa alusão à moda criada na Inglaterra em que as mulheres ficam com os seios à mostra na praia. “Mas esse nome não pegou e o que prevaleceu mesmo foi cabeça de robalo.
Surfando na onda do marketing concebido pelo prefeito de Canavieiras à época (e atual), Almir Melo, que cunhou o slogan “Canavieiras para todos, Canes para os íntimos”, a cabeça de robalo também ganhou rápida ascensão. Em um Carnaval, Almir Melo encomendou 600 cabeças de robalo, que foram consumidas vorazmente, para o desespero dos convidados.
O prefeito Almir Melo é muito “cobrado” pelas autoridades, a exemplo de Jaques Wagner e até mesmo do ex-presidente Lula (recentemente em Salvador) quando se encontra com eles. Em Feira de Santana, durante a entrega de caminhões e máquinas aos municípios baianos, até a presidenta Dilma manifestou sua predileção pela iguaria, quando foi informada pelo governador: “É ele o prefeito de Canavieiras que nos manda a cabeça de robalo!”, disse Wagner.
E assim a presidenta Dilma deu uma pequena pausa na cerimônia para manifestar seu desejo em voltar a receber uma boa remessa de cabeça de robalo. Na alta corte de Brasília, aliás, faz tempo em que os presidentes se deliciavam com a novidade canavieirense, levada, pelo que dizem, por político Antônio Carlos Magalhães.
Matérias foram elaborados e publicadas nos veículos de comunicação, para o desespero de dona Edelzuita, que não aguentava mais para atender a tantas encomendas. “Almir foi o grande incentivador e divulgador da cabeça de robalo e já cheguei a ir a Salvador, convidada por um dos políticos mais famosos da Bahia, para preparar na festa de casamento. “Foi sucesso absoluto”.
Com o aumento das encomendas – que teria de despachar, inclusive por via aérea –, aos poucos, ela foi passando o conhecimento para outras pessoas e atualmente algumas pessoas se destacam no preparo da cabeça de robalo. Uma delas é Conceição de Oliveira, que diz ser o melhor caranguejo para a cabeça de robalo o catado de dezembro a agosto, principalmente nos meses em que não têm a letra “r” no nome.
Segundo Conceição, é preciso observar a melhor época para preparar a cabeça de robalo, respeitando, inclusive o período do “defeso”. Nesta época, diz ela, somos muito cobradas pelos clientes, mas não podemos transgredir a lei e nem vender um produto que não seja de qualidade.
Gostoso de comer, trabalhoso de fazer. Assim é a cabeça de robalo. Mas é a lei da oferta e da procura, pregada pela economia. No caso de cabeça de robalo, não se economiza atenção na hora de lavar e escovar bem a carapaça, quebrar as pernas e “catar” (tirar a “carne” das patas do caranguejo). Abra a carapaça com uma faquinha e retire tudo que tem dentro, inclusive o fel; tempere as “carnes” até o tempero murchar e recoloque no lugar.
Os temperos são: coentro e cheiro verde, tomate, cebola, pimentão, pimenta-de-cheiro, camarão, biri-biri, leite de coco e dendê. Leve a panela ao fogo, vá colocando o dendê e o leite de coco aos poucos. Deixe cozinhar como moqueca, e com o caldo faça um pirão. Depois é só servir com pirão e arroz branco. Mas, em vez de tentar prepará-lo, se torna mais fácil comprá-lo (congelado) numa das tantas especialistas canavieirenses, ou pronto no Restaurante Alegria de Viver, por exemplo, e desfrutá-lo, à beira-mar. É mais garantido.
E desta maneira, pode usar e abusar dos pecados capitais, a exemplo da luxúria, deixando-se dominar pelas paixões; a preguiça, após comer à vontade; a vaidade, pelo orgulho de ter comido bem … e muito…. Quanto à inveja, deixe que os outros que não provarão possam ter por você. Com certeza, lhe darão razão no futuro.
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